A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 02/10/2020
Em “Sociedade do Espetáculo”, Guy Debord, escritor francês, defende como em nossas sociedades contemporâneas há uma espetacularização da vida. Para o pensador, os cidadãos são transformados em plateia passiva e as grandes questões sociais, em imagens a serem consumidas. Analogamente, Na contemporaneidade, observa-se uma evidente manipulação de imagens nas redes sociais, que podem gerar uma miríade de malefícios à saúde mental, alicerçada pela mentalidade capitalista. Assim, faz-se mister analisar como o estabelecimento de padrões de beleza pela sociedade e o ideal midiático mercadológico das redes sociais contribuem para a perpetuação desse cenário negativo.
Em primeiro plano, é imperativo pontuar, que os padrões de beleza impostos pela sociedade legitimam a manipulação imagética nas grande mídias, além de afetar, potencialmente, a autoestima e a saúde mental. Isso ocorre porque, os diversos tipos de sociedades, ao longo da história, impuseram padrões de beleza, conduta, cultura e comportamento a serem seguidos, e aqueles que não os seguissem eram reprimidos física ou moralmente. Dessa forma, desprende-se que o modelo de beleza imposto é, segundo a perspectiva do sociólogo francês Émile Durkheim, uma fato social, ou seja o alicerce de uma consciência coletiva que é geral, exterior e anterior ao indivíduo e de caráter coercitivo perante àqueles que a desviam.
Atrelado à padronização desse ideal, os interesses mercadológicos das redes sociais intensifica essa vicissitude. Pois, o advento das redes sociais está enraizando diversos modelos e padrões a serem seguidos, com a manipulação de imagens feita por algoritmos e inteligências artificiais, em filtros ou aplicativos de maquiagem digital que exploram ideais de beleza previamente determinados, e os impõe como modelos a serem seguidos. Representando assim, a objetivo da industria cultural: padronizar gostos, atitudes e opiniões, para tornar a sociedade facilmente tangível e assim comercializa-la. Dessa o sistema capitalista, através das redes sociais, cria novas formas de obtenção de lucro.
Em suma, observa-se como a mentalidade capitalista, por meio de padrões pré-determinados, manipula imagens nas redes sociais. Urge, portanto que medidas sejam tomadas para combater a problemática em questão e seus malefícios à saúde mental. Posto isso, o Ministério da Educação, em parceria com o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR), deve lançar o Plano Nacional de Combate à Manipulação Imagética. Tal plano, com intuito de tornar os jovens pouco influenciáveis pela manipulação de imagens, deve focar na introdução, à Base Nacional Comum Curricular, de aulas e palestras de cunho social que discutam e desconstruam modelos de beleza e conduta previamente determinados. Além de instituir algoritmos que estimulem a criação e compartilhamento de filtros e conteúdos que englobem toda a diversidade étnica e cultural existentes no corpo social.