A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 30/09/2020
No documentário “Dilema das redes”, é evidenciado os perigos que a massiva coleta de dados pelas redes sociais e aplicativos podem causar aos usuários. Nesse sentido, é evidente a configuração de um grave problema envolvendo a manipulação de imagens na internet e seus malefícios à saúde mental no Brasil, em virtude da perpetuação de estereótipos de beleza e da desinformação da população acerca dos possíveis danos.
A princípio, vale evidenciar que o surgimento das redes sociais possibilitou algumas melhoras no âmbito social, como a interação facilitada entre indivíduos. Entretanto, elas podem alimentar certas disposições problemáticas relacionadas à saúde mental. Essa realidade se deve, justamente, aos padrões de beleza impostos na sociedade, visto que eles influenciam o indivíduo a manipular sua imagem na internet, com o objetivo de passar uma boa aparência e, consequentemente, conquistar a aprovação alheia. Desse modo, parafraseando o filósofo polonês Zymunt Bauman, as relações sociais têm passado por liquefação, ou seja, o fato em questão está diretamente ligado a baixa autoestima ocasionada pela supervalorização da opinião social.
Vale pontuar, também, que a população ainda não possui entendimento dos possíveis riscos que o manuseio de sua imagem podem trazer para seu psicológico. Esse cenário é possibilitado, sobretudo, pela falta de debates frequentes sobre a nociva dependência de filtros e correções do que se julga imperfeito que visam criar um estado ilusório de perfeição e bem estar. Parafraseando o sociólogo Durkheim, o indivíduo só poderá agir na medida em que aprender a conhecer o contexto em que está inserido, a saber quais são suas origens e as condições de que depende. Dessa forma, é decerto que a insciência da população, se desdobra na utilização de recursos danosos à autoestima e saúde mental.
Portanto, diante dos fatos citados, faz-se necessário medidas para resolução do impasse. Nessa lógica, urge ao Ministério da Saúde a difusão de informações sobre os perigos que as mídias sociais oferecem à sanidade dos cidadãos, por meio da disponibilização de centros de atendimento psicológico em universidades e comunidades marginalizadas, bem como a partir de palestras acerca dos padrões estéticos estabelecidos pela sociedade. É importante que tais ações sejam realizadas com apoio de sociólogos e neuropsicólogos para que sejam criados tratamentos efetivos e uma base de compreensões sólidas sobre o tema. Desse modo, o problema seria resolvido de maneira eficaz e democrática, contribuindo, assim, para que os empecilhos evidenciados em “dilema das redes” não se perpetuem na nação.