A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 27/09/2020
O episódio “Queda Livre”, da série norte-americana Black Mirror, retrata a história de uma sociedade obcecada por curtidas em suas publicações e como essa realidade afeta as relações sociais. Fora das telas, o desejo por “likes” nas plataformas midiáticas incentivam cada vez mais pessoas a manipularem sua própria imagem, a fim de alcançar um padrão imposto socialmente prejudicial a sua própria saúde mental. Nesse cenário, faz-se necessário entender as causas que intensificam essa manipulação e as consequências desta para os usuários eletrônicos.
Em primeiro momento, é preciso analisar as causas dessa problemática. Assim, as próprias redes sociais, como Instagram e Snapchat, através do desenvolvimento de filtros que incentivam uma padronização da aparência pessoal, suavizando e embranquecendo a pele, disponibilizando maquiagens e efeitos que alterem a coloração do olho, corroboram para o agravamento desse problema. Nesse contexto, os indivíduos tendem a se sentirem pressionados por não se adequarem ao padrão proposto e passam a procurar maneiras ainda mais problemáticas de alterarem sua imagem. Sendo assim, aplicativos de edição, a exemplo do Photoshop, começam a ganhar ainda mais destaque, promovendo um ciclo vicioso e que gera um padrão inalcançável fora das redes.
Por conseguinte, essa realidade de perfeição criada virtualmente culmina em sérios problemas na saúde mental da população. À vista disso, consoante ao sociólogo do século XX, Erving Gofmann, uma pessoa fora desse molde imposto tende a se sentir estigmatizada e excluída pela sociedade, se tornando suscetível ao aparecimento de doenças psicossomáticas; como ansiedade, depressão, crises de estresse e ataques de pânico, interferindo no bem-estar individual. Ademais, de acordo com dados do Sociedade Internacional de Cirurgias Plásticas, são realizados cerca de três milhões de procedimentos por ano e o Brasil lidera o ranking. Dessa forma, a pressão imposta rompe com a pluralidade brasileira e tende a aumentar o número de pessoas infelizes com seu padrão estético.
Diante do exposto, é nítida a necessidade de medidas que solucionem a situação apresentada. Portanto, cabe as plataformas midiáticas a promoção de medidas que incentivem a beleza individual, rompendo com filtros que massifiquem um padrão imposto e aderindo efeitos que estimulem a diversidade, realçando a existência de diferentes corpos e peles, a fim de romper com a existência de apenas uma estética aceitável e incitar a aceitação de seus usuários. Outrossim, cabe aos próprios indivíduos se imporem socialmente, rompendo com a necessidade do uso de filtros e aplicativos de edição, com o fito de romper com essa cultura de perfeição e incentivar uns aos outros durante esse processo de libertação, buscando uma sociedade livre, diferente da apresentada em Queda Livre.