A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 25/09/2020

O mito da caverna, do filósofo Platão, descreve a situação de pessoas que se recusam a observar a verdade em virtude do medo do medo de sair de sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que concerne à manipulação de imagens nas redes sociais, uma vez que esse comportamento, banalizado no social, esbarra em sérios malefícios para a saúde mental. Sendo assim, é crucial discutir que a asserção espelha não só a falta de debate, como também a perda de direitos constitucionais.

Convém ressaltar, a princípio, que o impasse retrata o escasso diálogo sobre o tema. Sob essa perspectiva, o filósofo Habermas defende que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Assim, para que o problema dos malefícios da manipulação de imagens nas redes sociais seja resolvido é necessário um amplo debate sobre o assunto. Entretanto, percebe-se o oposto, no âmbito social, visto que muitos não tem acesso à informações que permitam uma reflexão critica sobre a temática. Dessa forma, o uso de “photoshop” e filtros nas redes sociais, ficam banalizados e sem os indivíduos entenderem a sua real gravidade.

Ademais, outro aspecto que precisa ser salientado é a deturpação de leis existentes. Nesse sentido, é válido lembrar, que a elaboração do artigo 196 da Constituição Federal de 1988 foi baseada no sonho de garantir a saúde de todos os brasileiros, visando a prevenção de doenças. No entanto, é notório que o Poder Público não cumpre seu papel enquanto agente fornecedor desse direito, pois a modificação da própria imagem nas redes sociais pode causar sérios danos a saúde mental dos indivíduos, como a dificuldade de aceitar “imperfeições”. Assim, se o Estado não age para prevenir esses malefícios, percebe-se não só um irrespito colossal com a saúde da população, mas também a deturpação das leis supremas do país.

Isso posto, com a finalidade de promover um amplo debate e, portanto, fazer valer a Constituição, urge que o Ministério da Saúde, em parceria com grandes mídias, faça campanhas informativas sobre o tema, por meio de canais de televisão e internet. Para tal, essas devem conter a participação de pessoas que tiveram a própria saúde ameaçada por conta da modificação de suas imagens, para que a sociedade possa gerar empatia e entender a gravidade do problema. Somente assim,  será possível sair da caverna de Platão e resolver o impasse da melhor maneira possível.

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