A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 25/09/2020
O livro “Feios” retrata uma sociedade na qual todos os cidadãos, ao atingirem certa idade, devem passar por cirurgias plásticas para que se tornem esteticamente perfeitos. Bem como na distopia, a popularização de filtros que manipulam a imagem do usuário nas redes sociais visa fazer com que os indivíduos fiquem mais bonitos. Porém, a imposição de padrões de beleza inalcançáveis e a necessidade das pessoas em atingi-los acabam gerando malefícios à saúde mental.
Primeiramente, é importante esclarecer que o conceito de belo é relativo, ou seja, não há parâmetros exatos que meçam o que é bonito ou feio. Em “Pretty Hurts”, Beyoncé afirma que “a perfeição é a doença da nação, a beleza machuca”, em uma clara crítica aos padrões estéticos estabelecidos socialmente. Desse modo, percebe-se que tais modelos excluem parte majoritária da população que, ao não se sentir encaixada neles, pode facilmente desenvolver problemas de autoestima.
Por conseguinte, os padrões de beleza criam nas pessoas uma necessidade de buscar sempre estar o mais próximo a eles possível, mesmo que para isso sejam necessárias medidas drásticas como plásticas ou remédios. Por exemplo: na novela “Cheias de Charme”, o personagem Inácio passou por uma cirurgia facial para se tornar idêntico ao cantor Fabian. Logo, nota-se que a baixo autoestima causada pelos padrões estéticos leva pessoas a tomarem atitudes que podem afetar diretamente sua própria saúde física.
Sendo assim, é visível a necessidade de ações para prevenir possíveis impactos negativos do uso de filtros de manipulação de imagens nas redes sociais. Para isso, cabe às empresas da indústria da beleza (como o ramo da moda e cosméticos, por exemplo), criar um movimento nas redes estimulando a divulgação de fotos e vídeos sem quaisquer alterações, e garantir a participação de influenciadores digitais por meio de patrocínio, com o objetivo de fazer com que as pessoas se aceitem do jeito que são. Só assim a sociedade distópica de “Feios” deixará de ser tão parecida ao Brasil contemporâneo.