A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 25/09/2020
A série televisiva norte-americana “Black Mirror”, mediante episódios independentes, retrata um futuro distópico no qual a tecnologia e a vida humana encontram-se totalmente integradas. De maneira análoga à ficção, é nítido que a dependência da sociedade em relação ao uso de aparatos tecnológicos é progressiva, o que fomenta o caráter supérfluo das relações sociais. Dessarte, faz-se mister analisar a manipulação de imagem nas redes sociais, bem como expor seus efeitos maléficos à saúde mental: a falta de autonomia e a perpetuação de preconceitos estéticos.
A princípio, é imperativo elucidar que o período hodierno é marcado pela globalização, isto é, o estágio máximo de integração em rede a nível mundial. Por consequência, a flexível veiculação de artifícios midiáticos, a saber, filtros fotográficos e aplicativos de edição, gera um uso exacerbado de mecanismos de manipulação de imagem. Sob a perspectiva do filósofo pós-estruturalista, vive-se na era do sujeito multifacetado, haja vista que as pessoas adquirem múltiplas identidades em virtude da evolução tecnológica. Dessa forma, denota-se, cada vez mais, a ausência de autonomia do intelecto e de criticidade no processo de construção pessoal.
Sob outro prisma, é válido averiguar que a crescente manipulação imagética nas redes sociais agrava a ininterrupção de preconceitos relacionados à fisionomia. Tal fato acarreta a propagação de metodologias comportamentais danosas à saúde psíquica humana, tais como distúrbios relacionados a ansiedade, depressão, além da baixa autoestima. Isso comprova-se por meio de um estudo britânico, conduzido pela Universidade de Cambridge, o qual revela que a plataforma social “Instagram”,aplicativo de circulação de imagens, é considerada extremamente danosa para a psique humana. Logo, é substancial que haja políticas socioeducativas para combater esse quadro alarmante.
Em síntese, a observação crítica dos fatos mencionados reflete a urgência de providências para mitigar o panorama vigente. Portanto, compete ao Ministério da Educação (MEC), mediante verbas públicas, implementar uma disciplina específica voltada a uma educação especializada de uso tecnológico nas instituições de ensino de base, ministrada por profissionais da tecnologia e da saúde. Isso deve ser feito por intermédio de aulas, debates e projetos de valorização da criticidade e da autonomia dos cidadãos, bem como pela exposição de riscos ocasionados por mecanismos artificiais de redes sociais. Assim, será possível zelar pela saúde mental dos indivíduos e pela personalidade, ainda em formação, de adolescentes e jovens.