A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 24/09/2020

Lançado no início de 2017, o filme “O Mínimo Para Viver” causou grande repercussão tanto nacional como mundial. O longa-metragem, além de criticar os padrões estéticos da sociedade vigente, destaca as consequências negativas desses paradigmas sobre a vida e a saúde da população. Sob essa perspectiva, a manipulação de imagens nas redes sociais, por meio de filtros e edições, faz-se intensamente presente no meio social brasileiro do século XXI. A título de exemplo, de acordo com a “GlobalWebIndex”, o Brasil é o segundo país que mais utiliza essas mídias. Dessa maneira, é importante analisar que essa realidade não só reforça paradigmas de beleza preexistentes, como, também, é prejudicial à sanidade dos indivíduos.

Em primeiro lugar, ressalta-se a influência da internet sobre a população. Nesse contexto, conforme o filósofo contemporâneo Marshall McLuhan, as redes moldam o processo de pensamento do homem. Dessa maneira, as mídias sociais, por intervenção da modificação de fotos, é capaz de manipular a concepção de seus usuários acerca da beleza, o que colabora para o fortalecimento de protótipos estéticos efetivos na sociedade, bem como o corpo ideal. Como exemplo disso, o Brasil é, consoante a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética (ISASP), a nação que mais faz cirurgias reparadoras. Portanto, explicita-se a importância da intervenção estatal para reverter esse cenário.

Além disso, salienta-se os efeitos desse fato sobre o corpo social. Nesse sentido, a cantora Beyoncé afirma em sua música “Pretty Hurts” que a beleza dói. Com a obra, a artista enfatiza as decorrências psicológicas trazidas pela ditadura da perfeição. Isso posto, a adulteração de imagens on-line contrubui para a progressão de doenças psíquicas nos usuários que não conseguem alcançar esses padrões, bem como a depressão e a ansiedade. Como prova disso, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), os índices desses transtornos aumentou entre os jovens nas últimas décadas, anos nos quais houve a aparição das mídias. Logo, fazem-se necessárias medidas para preservar a saúde do povo.

Em síntese, a manipulação de imagens nas redes sociais não apenas fortalece paradigmas de beleza existentes, mas, também, é um obstáculo à saúde dos cidadãos. Por isso, cabe aos influenciadores digitais, como principais produtores de padrões estéticos, por intermédio das mídias sociais, criarem o projeto “Beleza Natural”, no qual eles postam fotos sem filtros, a fim de naturalizar a aparência verdadeira das pessoas. Ademais, o Ministério da Educação  deve, mediante a contratação de profissionais qualificados, bem como psicólogos e psiquiatras, promover, nas escolas, atendimentos aos estudantes, a fim de preservar sua sanidade mental. Dessa forma, com o auxílio dessas providências, espera-se reduzir os impactos negativos causados pela alteração de imagens na internet.