A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 24/09/2020
Guy Debord, em “A Sociedade do Espetáculo”, propôs a história de um mundo onde as pessoas tentam sempre ser melhor do que as outras, procurando sempre darem seu melhor show, como um espetáculo. Paralelamente, o problema apresentado no livro de Debord está presente no mundo real , onde a sociedade do espetáculo se encontra principalmente no mundo virtual, cheio de filtros e padrões de beleza. Nesse âmbito, pode-se analisar que essa problemática persiste devido não só aos padrões estéticos impostos pela sociedade, como também há motivos econômicos.
Em primeiro plano, vale ressaltar os padrões de beleza como uma das raízes do problema. Com base nisso, é notório a importância do papel dos influenciadores digitais no que tange o uso de filtros e procedimentos estéticos para melhorar a beleza. Dessa forma, os indivíduos que não se encaixam dentro dos padrões estéticos recorrem à cirurgias de alto risco e ao uso de filtros, criando uma falsa imagem de si mesmos, o que pode ocasionar em problemas de baixa autoestima.
Em segundo plano, vale salientar as questões econômicas como impulsionador do problema. Sob essa perspectiva, os anúncios de produtos de beleza nas redes sociais atraí influenciadores digitais, que procuram sempre por patrocínio, gerando lucro para as grandes empresas de cosméticos, para as redes sociais e para si mesmos. Assim, sem saber dos malefícios que esses produtos causam, os famosos divulgam para seus seguidores, gerando engajamento e contribuindo para a persistência dos padrões estéticos, degradando a saúde mental dos indivíduos e podendo ocasionar em problemas mais graves, como a depressão e os transtornos alimentares.
Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para solucionar o impasse. Faz-se mister, pois, que o Ministério da Saúde, em parceria com o governo estadual, providencie palestras em lugares públicos de grande fluxo, contando com a participação de psicólogos que alertem a população sobre os riscos indiretos da manipulação da imagem nas redes sociais. Ademais, cabe a mídia aumentar a quantidade de anúncios saudáveis e filtros que incentivem o amor próprio, garantindo a saúde mental dos usuários. Espera-se, dessa maneira, que ocorra a limitação desse adverso imbróglio social e que a sociedade do espetáculo permaneça apenas no livro de Debord.