A literatura como meio de ressocialização de detentos
Enviada em 10/11/2022
A sociedade brasileira, embora seja um exemplo em inúmeros setores sociais, ainda é precária no que tange a ressocialização de detentos através da literatura. Sob esse prisma, a alienação e a negligência participativa tornaram-se fatores alarmantes, potencializados não só pelo preconceito com o direito à cidadania do presidiário, como também pela falta de incentivo governamental à leitura.
Primeiramente, vale ressaltar o preconceito com a inserção do presidiário na sociedade como impulsionador do impasse, ainda que ocorram programas de alfabetização e literatura dentro do sistema penal, o estigma associado a estes indivíduos, a respeito do direito à cidadania, é muito forte no Brasil. Em conformidade com Karl Marx, pensador alemão, os indivíduos devem ser analisados de acordo com o contexto de suas situações sociais, visto que produzem suas existências em grupo a partir da alienação. Nessa ótica, entende-se que a padronização de questões, como a dificuldade de ressocializar detentos através da literatura, tornou-se um fator prejudicial a sociedade, em virtude dessa incapacidade de exercer um juízo sólido.
Ademais, vê-se que a falta de incentivo governamental à leitura também é uma ocorrência atual, dado que muitos presídios não possuem acesso à literatura, consequentemente, os detentos não são motivados a mudar de vida e sair da criminalidade. De acordo com a teoria da tábula rasa de John Locke: “o ser humano é como uma tela em branco, preenchida por experiências e influências”. Com base nisso, constata-se que, sem incentivo à literatura nas celas brasileiras, o indivíduo, inserido em um ambiente que negligencia e não combate a problemática, tende a ser influenciado pelo meio.
Portanto, observa-se a importância da leitura na ressocialização de detentos. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, por intermédio de verbas públicas, promover o incentivo à literatura no cotidiano dos presidiários. Tal ação deve ocorrer por meio da construção de bibliotecas dentro dos presídios e, ainda, impulsionar debates sobre como a leitura influencia na saída da criminalidade. Isso deve ocorrer para que o avanço e a prosperidade do país sejam observados.