A literatura como meio de ressocialização de detentos
Enviada em 09/11/2022
De acordo com Zygmunt Bauman, a educação e a aprendizagem no ambiente moderno, para ser úteis, devem ser contínuas e durar toda a vida. Entretanto, no Brasil, é notável a falta de educação para pessoas privadas de liberdade. Fruto esse não só da ausência de programas governamentais que estimulem a leitura entre a comunidade penitenciária, como também do estereótipo de punição carcerária estabelecido pela sociedade.
Acerca disso, o filósofo inglês Thomas Hobbes, em seu livro “Leviatã”, defende a incumbência do Estado em proporcionar meios que auxiliem o progresso da coletividade. As autoridades, contudo, vão de encontro com a ideia de Hobbes, uma vez que possuem um papel inerte em relação a educação dos presos. Esse cenário decorre do fato de que uma parcela dos representantes governamentais, ao se orientar por um viés individualista e visar a um retorno imediato de capital político, negligência a conservação de direitos sociais indispensáveis, como o direito a educação e cultura. Logo, é notório que a omissão do Estado perpetua a falta de leitura nas penitenciárias do Brasil.
Ademais, segundo Émile Durkheim, os fatos sociais moldam a maneira de agir das pessoas pela influência que eles exercem sobre elas. Logo, a sociedade brasileira é um exemplo da ideia de Durkhein, já que possuem um papel definitivo na criação de hábitos que deverão ser seguidos pela população carcerária. Logo, quando há costumes sociais que difamam o ambiente prisional como impróprio para o desenvolvimento intelectual, é responsável direto da própria degradação dos seres. Desse modo, erradica o desenvolvimento e ressocialização dos presos.
Portanto, é mister que o Estado tome as devidas atitudes para resolver o empecilho. Urge, assim, que o Ministério da Educação, crie programas educacionais penitenciários. Isto é, por meio de uma reunião com os principais agentes sociais de cada localidade da nação, a fim de articular medidas que englobem todas as necessidades ao desenvolvimento de pessoas privadas de liberdade pela leitura, essa medida será enviada ao poder legislativo para sua concretização e distribuição nacional. Para que, assim, o Brasil possa evoluir em conjunto com Zygmunt Bauman.