A literatura como meio de ressocialização de detentos

Enviada em 11/11/2022

Em sua obra “Infância”, Graciliano Ramos retrata como caminhos foram abertos em sua vida por meio da leitura durante sua juventude. Assim, apesar de a leitura ser um aliado forte na construção intelectual do indivíduo, marginalizados da sociedade, como detentos, são comumente menosprezados nessa esfera. Dessa maneira, faz-se necessária uma análise acerca da negligência literária em presídios, pautada no descaso governamental e no preconceito social.

Primordialmente, vale ressaltar que o Estado não cumpre seus deveres legais. De acordo com o jornalista Gilberto Dimenstein, o Brasil é marcado pela falta de aplicação prática da Constituição de 1988. Nesse contexto, sabendo que a Constituição assegura o direito à cultura e ao desenvolvimento do indivíduo, vê-se um Estado passivo, com falta de ações afirmativas que procuram reverter a distância dos detentos com relação à literatura. Dessa maneira, a negligência estatal sofrida pela população carcerária dificulta o processo de ressocialização.

Outrossim, a grande aversão aos marginalizados perpetua o preconceito vivido. Nesse contexto, é válido ressaltar que a população comumente rejeita o encarcerado, os negando direitos constitucionais como a literatura em seu cotidiano. Nesse viés, a série americana “Orange Is The New Black” retrata a vida de detentas que vivem à margem da sociedade, sem acesso à cultura ou ao desenvolvimento intelectual por meio de livros, culminando na extrema dificuldade de ressocialização, fato que se traduz na realidade atual.

Em síntese, é preciso garantir o acesso à literatura como forma de ressocialização de detentos. Para tal, é preciso que o governo federal, órgão que visa cumprir com a Constituição, garanta a aplicação dos direitos do cidadão, por meio da fiscalização do acesso à cultura em presídios, com o objetivo de garantir as bases legais do direito à leitura. Ademais, é necessário que o Ministério da Educação mitigue o pensamento preconceituoso, por intermédio de palestras, campanhas publicitárias e rodas de conversa, na intenção de promover a aceitação da população carcerária sem julgamentos pré-estabelecidos. Dessa maneira, a realidade de Graciliano Ramos será, também, realidade para os detentos da sociedade.