A literatura como meio de ressocialização de detentos
Enviada em 08/11/2022
Jean-Paul Sartre, em sua obra “Os caminhos da liberdade”, associa as práticas humanas ao compromisso com seus efeitos sobre o corpo social. Para o filósofo francês, toda ação deve ser guiada por uma ética de responsabilidade que objetive o bem comum. Ao considerar essa perspectiva na análise da literatura como meio de ressocialização de detentos, vê-se que, embora a prática mencionada seja benéfica a saúde mental dos privados de liberdade, a irresponsabilidade do Governo na efetivação de políticas públicas de disponibilização de livros em presídios dificulta a prática da atividade. Logo, compreender de modo mais profundo esse contexto é necessário para a garantia da leitura em penitenciárias.
Com efeito, ler traz diversos benefícios ao indivíduo, como maior senso crítico e contrução da imaginação. Como exemplo do fato mencionado, a série de Netflix “Anne with an E” mostra a personagem Anne, que busca refúgio mental de situações abusivas que viveu por intermédio da leitura. Outrossim, os livros são instrumento para a busca por uma vida melhor, como evidencia o site de notícias G1, em que o penitenciário Matheus Vieira diz que a leitura transformou sua vida como ser humano. No entanto, a falta de políticas públicas na oferta de livros aos presos, difulta o acesso aos mútiplos benefícios oferecidos pela atividade mencionada, pois eles não possuem incentivo à leitura, não se interessando por ela.
Por conseguinte, a falta de objetos pedagógicos nos presídios acarreta em falta de socialização de detentos e ociosidade. Sendo assim, a irresponsabilidade na preocupação da garantia de atividades benéficas aos presos viola a declaração Universal de 1948, pois não garante uma vida digna ao detentos, como é proposto no documento.
Portanto, são necessárias ações promotoras do bem-estar social. Para isso, é importante que o Ministério da Educação, como instrumento de metamorfose social, atue com campanhas acerca da necessidade da leitura por presos, por meio de palestras em escolas, com intuito de conscientização coletiva acerca da temática proposta. Somente assim, a responsabilidade preconizada por Sartre,será estabelecida, com a literatura como meio de ressocialização de detentos.