A literatura como meio de ressocialização de detentos
Enviada em 10/11/2022
O escritor Aldous Huxley defende: “Os fatos não deixam de existir só porque são ignorados”. Tal perspectiva é verificada no uso da literatura como um meio de ressocialização dos detentos, que é ignorada pela sociedade e poder público, pois ambos encaram as prisões apenas como meio de punição pelos atos e ignoram a possibilidade de ressocialização. Com isso, emerge um problema sério, que tem origem na ausência de discussão do tema e na ineficiência governamental.
Nesse sentido, em primeiro plano, é preciso atentar para a ausência de discussão presente na questão. A filósofa Djamila Ribeiro explica que é necessário tirar uma situação da invisibilidade para que soluções sejam promovidas. Porém, há um silenciamento presente na questão da literatura como ferramenta para reintroduzir os detentos na sociedade, tendo em vista que o cidadão comum, acredita que os presídios são lugares para punir criminosos, mas se esquecem que vários deles sairão da prisão após cumprir a sentença e caso ele não tenha meios para ser inserido na sociedade novamente, voltará a cometer delitos. Assim, urge tirar a situação da invisibilidade para atuar sobre ela, como defende a pensadora.
Além disso, outro fator influenciador é a ineficiência governamental. Para Thomas Hobbes o Estado é responsável por garantir o bem-estar dos cidadãos. Porém, tal responsabilidade não está sendo honrada quanto ressocialização de detentos por meio da literatura, visto que os presídios brasileiros não possuem o mínimo para um tratamento humanizado dos internos para criar um ambiente favorável à ressocialização, sofrendo com a falta de infraestrutura e com superlotação. Desse modo, para que tal bem-estar seja usufruído, o Estado precisa sair da inércia em que se encontra.
Dessa forma, fica evidente a necessidade de medidas para reverter a situação. Portanto, o Instagram, Twitter e Youtube devem criar uma campanha que trate da literatura como meio de ressocialização, por meio de tutoriais com orientações precisas a fim de reverter o silenciamento que impera. Tal ação pode, ainda, ser divulgada com uma “hashtag” para atingir mais pessoas. Paralelamente, é preciso intervir sobre a ineficiência governamental presente no problema.