A linguagem neutra em debate no Brasil
Enviada em 05/09/2022
O sociólogo brasileiro, Paulo Freite, afirma que quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser opressor. Com isso, o debate sobre a linguagem neutra no país retrata o desejo de “ascensão” social daqueles que, hoje em dia, se encontram como minorias ou oprimidos, entretanto, esquecem que a linguagem influência globalmente, não apenas nas relações inter-pessoais. Dessa forma, percebe-se que esse panorama reflete uma situação preocupante, seja pela grande alteração das normas gramaticais, seja dificuldade na transmissão às pessoas com deficiências visuais.
Nesse cenário, cabe ressaltar que a língua portuguesa com o gênero masculino expressando neutralidade foi aceita e consolidada internacionalmente. Segundo o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, em seu conceito sobre “O homem cordial”, afirma que uma das características do brasileiro cordial é priorizar os seus próprios problemas. Nesse viés, percebe-se que ao desejar a linguagem neutra uma parcela da população está colocando seus problemas e desejos como prioridade em relação aos demais. Conforme a Academia Brasileira de Letras, o gênero masculino expressa neutralidade e se encontra consolidado na expressividade da língua.
Ademais, as pessoas com deficiência visual que utilizam softwares para leitura sofrerão as consequências de uma confusão linguística, caso o pronome neutro seja instalado. De acordo com a Constituição Federal é dever do Estado garantir a inclusão dos grupos minoritários na sociedade. Com isso, implementando a linguagem neutra no Brasil, as instituições federais estariam desrespeitando a comunidade de deficiêntes visuais, visto que eles precisariam passar por um longo período de instabilidade linguística por causa da re-programação dos softwares e ferramentas de apoio.
Portanto, torna-se evidente que não há condições de implementar a linguagem neutra no país. Por isso, é dever do Ministério da Educação conscientizar à população sobre as consequências da construção de uma linguagem neutra no país, por meio de campanhas nas redes sociais e na mídia televisiva, com objetivo de garantir que todos compreendam o quanto às demais minorias seriam atingidas por tal medida, e, assim, garantir o desenvolvimento e o respeito a todos.