A linguagem neutra em debate no Brasil

Enviada em 19/07/2022

O uso da linguagem neutra no Brasil têm se tornado mais corriqueiro a cada dia e, juntamente a isso, tornou-se também fonte de bastante polêmica. Idealizada, inicialmente, pelo grupo LGBTQIA+, a substituição de alguns de alguns fonemas em palavras cujo gênero neutro seja considerado o masculino busca, segundo eles, a inclusão num âmbito social daqueles que outrora haviam se encontrado marginalizados.

A nossa língua possui sua origem latina. No latim, havia a distinção entre gêneros feminino, masculino e neutro. Na passagem para o português, o gênero tido como neutro se tornou o masculino, sendo, portanto, uma regra gramatical e não um aspecto machista de nossa sociedade. Além do mais, esse dialeto busca a inclusão de alguns em detrimento da exclusão de outros. Vejamos: os deficientes visuais, que dependem de softwares para realizar a leitura de textos terão absurda dificuldade em se habituar com essa linguagem, haja vista que os programas deveriam ser reprogramados para reconhecer e criar um som compatível com a mudança linguística, além do fato de que a compreensão seria dificultada. Nesta acepção, convém incluir também os deficientes auditivos, que fazem uso da compreensão labial; os disléxicos, que teriam sua compreensão bastante reduzida.

Destarte, há que se separar aspectos culturais, sociais e gramaticais. Há tanto o que se alterar em nosso meio para permitir a inclusão de grupos marginalizados, que chega a ser um ultraje modificar a língua sob esse propósito. A linguagem neutra exclui e prejudica muitas outras pessoas e, caberia ao poder público, implantar políticas de conscientização sobre tal assunto, explicar, por sua vez, os impactos negativos em nossa sociedade que essa mudança causaria. Nesse mesmo aspecto, trazer oportunidades às pessoas pertencentes ao movimento LGBTQIA+, torná-los mais presentes e atuantes em nossa sociedade, incluindo no currículo escolar matérias que expliquem mais sobre homossexualidade, transsexualidade e pessoas não-binárias; tal medida ajudaria a buscar essa inclusão tão merecida e necessária.