A linguagem neutra em debate no Brasil

Enviada em 11/07/2022

A linguagem, segundo Rousseau, é uma das dimensões da racionalidade humana e se aprimora com o desenvolvimento da humanidade. No Brasil, a língua portuguesa, trazida pelos colonizadores portugueses, foi aprimorada com a inclusão de palavras de origem indígena, negra e outras. Nesse sentido, também poderá ser aprimorada pela linguagem neutra em debate no Brasil. Nesse viés, seu uso cotidiano, ou seja, na comunicação informal, é o início do processo que poderá ou não a levar ao seu uso formal, que é o ápice do seu aprimoramento.

Primeiramente, não há nenhum impedimento da adoção da língua neutra no cotidiano. Isso por tratar-se de comunicação informal na qual nem sempre são observadas normas gramaticais. Por exemplo, a adoção do pronome “elu” em mensagem na internet entre pessoas próximas para se referir a qualquer pessoa, independente do gênero, pode ser o início do processo que levará a inclusão dessa palavra na comunicação formal.

Em segundo plano, há impedimento da adoção da língua neutra na comunicação formal. Isso porque na comunicação formal devem ser observadas as regras gramaticais do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa assinada pelo Brasil. Logo, não caberia seu uso, por exemplo, em uma Petição Inicial a um juiz, onde deve ser usada a norma culta prevista no referido Acordo.

Portanto, os defensores do uso da linguagem neutra devem utilizá-la na comunicação informal, a fim de iniciar o processo que poderá permitir seu uso na comunicação formal. Ele se inicia com o estudo pelos linguistas, que avaliarão a conveniência ou não dessas palavras serem incorporadas ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa assinada pelo Brasil e demais países que o adotam e que representa o ápice do desenvolvimento dessa linguagem.