A linguagem neutra em debate no Brasil
Enviada em 24/05/2022
O uso da linguagem neutra voltou ao debate depois que a justiça federal do Acre mandou suspender os efeitos de uma portaria do governo federal que vetava a utilização de termos como “todes” e “amigx” em projetos financiados pela Lei Rouanet. A portaria tinha sido publicado em outubro do ano passado. Mas afinal o que ela significa e por que é tão polêmica?
Em 2021, alguns casos promoveram o debate do uso da linguagem neutra, que precisa superar preconceitos. Em Santa Catarina, por exemplo, a justiça reconheceu que uma pessoa pode se declarar com gênero neutro. Foi um dos primeiros casos no Brasil. Aqui no Rio Grande do Sul, assim como em Mato Grosso do Sul, o uso de linguagem neutra nas escolas foi alvo de grande debate.
Em Porto Alegre, após o envio de tarefaspara os estudantes tratando os como “alunes” e “aluxs”, uma escola municipal foi criticada e virou alvo de um pedido de providência de um vereador. Docente dos progama de pós graduação em Psicologia e em Ciêcias Sociais da Pontifícia Universidade Católica do RS (PUCRS) e coordenador do Grupo Pesquisa Prenconceito, o professor Ângelo Brandelli lembra que a linguística, ciência que analisa a linguagem verbal humana, aponta que a língua é algo vivo, que se transforma conforme as culturas se modificam, e é por reconhecer essa transioriedade que pode haver divergências da gramática normativa, que buscar reunif uma série de regras.
Para ele, é importante que uma escola, por exemplo, reconheça as mudanças que ocorrem na sociedade, apresente as novidades e estimule debates com os alunos, como a discussão sobre o uso do “x” para dissipar demarcações do gênero.
Atualmente na área da sociolinguística, a professora do Instituto de Letras e da Pós Graduação em letras da universidade federal do RS (UFRGS) , Elisa Battiti, entende que é válido que as escolas abram espaço para discutir o lugar das minorias socias e as demandas que elas fazem. No entanto, observa que o Volp, que reúne as expressões usadas por uma comunidade, já foi atualizado com palavras como “drive-thru” e “pandemia”, mas ignora termos da linguagem não binária - o que dificulta que esse tipo de comunicação seja de fato inserida.