A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 09/05/2023

Em sua obra “Cibercultura”, o filósofo Pierre Lévy ratificou o caráter democratizante da internet e elogiou a capacidade da grande rede em prover acesso a uma infinidade de informações. Entretanto, com a facilidade proporcionada, muitos usuários podem sentir-se acomodados e tornarem-se receptores passivos de conteúdo, de modo a deixar de refletir sobre as informações repassadas. Diante disso, para mitigar a problemática, evidencia-se a importância da atuação estatal na conscientização popular acerca do tema.

Sob esse viés, tem-se que a ação diligente do governo é fundamental para a homeostase (equilíbrio) educacional do país. Nesse sentido, tal assertiva é corroborada pelo entendimento do pedagogo Dermeval Saviani, no livro “Pedagogia Histórico-Crítica”, no qual defende que o país deve promover a transição da matriz de ensino atual, de viés tecnicista, para um modelo que se proponha a estimular o juízo crítico dos estudantes. Dessa forma, as futuras gerações serão mais críticas acerca dos conteúdos que consomem.

Outrossim, salienta-se que a sociedade deve assumir o protagonismo em prol das próprias demandas. Nesse contexto, o antropólogo Roberto DaMatta, em “Carnavais, malandros e heróis”, critica a inércia do brasileiro, por esperar dos políticos a solução para todas as mazelas. Em contrapartida, segundo o autor, resultados melhores surgem quando o povo participa ativamente do processo de mudança. Por conseguinte, fica claro que as orientações sobre a forma correta de utilização da internet deve ser iniciada precocemente, dentro do próprio seio familiar.

Portanto, depreende-se que o Estado e a sociedade são entes copartícipes da solução em pauta. Logo, cabe ao Congresso Nacional, por meio de processo legislativo, a abertura de uma comissão especial que atue na transição da matriz curricular de ensino atual para uma menos tecnicista, com enfoque na formação de cidadãos aptos a refletir sobre as questões contemporâneas de interesse para a vida. Para isso, os parlamentares deverão ouvir especialistas no assunto, que colaborem com o projeto em conformidade com a legislação vigente. Assim, gradativamente, os brasileiros colherão os frutos das ações empreendidas