A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 11/08/2021
A série “Control Z”, da Netflix, aborda a questão do uso danoso das redes sociais por parte dos indivíduos de uma escola. Analogamente à obra de ficção, o Brasil hodierno também enfrenta um obstáculo no que tange à utilização de maneira correta da internet, já que, apesar dos pontos positivos, como a mobilização política, as redes podem atuar como propagadoras de notícias falsas. Sendo assim, faz-se mister a discussão acerca desses aspectos.
De início, é fundamental destacar o caráter benéfico da internet na organização de protestos por parte dos cidadãos nas redes. Um exemplo claro disso é o episódio histórico que ficou conhecido como “Primavera Árabe”, na qual uma onda revolucionária no norte da África que protestava contra regimes autoritários foi impulsionada pelo uso da rede social “Twitter”. Nessa perspectiva, isso se relaciona com o conceito de “aldeia global”, teorizado pelo filósofo canadense Marshall McLuhan, em razão de a troca de informações acontecer de maneira rápida, o que resulta na diminuição de distâncias e na interconexão de indivíduos. À luz disso, fica evidente que as redes sociais podem ser positivas ferramentas de comunicação e, por conseguinte, articulação de movimentos.
No entanto, ainda que a internet seja capaz de ajudar na troca de informações e na interatividade, convém ressaltar que os usuários das redes podem propagar dados inverídicos. Isso se caracteriza como um fator nocivo pois as “fake news” influenciam a formação de opinião sobre diversas pessoas, como o que aconteceu, por exemplo, após a morte da vereadora carioca Marielle Franco, no qual foram repassadas na internet notícias falsas e maliciosas de que ela estaria envolvida com facções criminosas. Sob esse viés, a definição de “indústria cultural”, criada pelos sociólogos da Escola de Frankfurt Theodor Adorno e Max Horkheimer, pode ser aplicada a esse contexto pois explica a massificação dos conhecimentos como um meio de manipulação que visa ao lucro, sem considerar a veracidade dos fatos. Assim, torna-se inegável que as “fake news” difundidas pelos cidadãos precisam de combate.
Em face do exposto, portanto, medidas são cruciais para garantir a boa utilização das redes sociais. Logo, compete ao Ministério das Comunicações criar um projeto de fiscalização de notícias veiculadas na internet, mediante a destinação de verbas à contratação de profissionais, especificamente os formados em Informática, com o fito de viabilizar a análise das informações repassadas on-line e, desse modo, promover a diminuição da divulgação de fatos errôneos. Feito isso, o uso indevido das redes semelhante ao da mimesis da Netflix poderá ser atenuado.