A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 07/09/2021

De acordo com a Constituição da República Federativa do Brasil, todos tem direito ao acesso à informação, conforme descrito no inciso XIV, artigo 5º, dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos. No entanto, as possibilidades proporcionadas pelos aplicativos nesse avanço tecnológico e informacional, leva ao questionamento sobre o uso dessas ferramentas como principal meio de acesso e de ganho de tempo nos afazeres cotidianos. Por outro lado, este acesso, provoca ainda, indagações se a internet facilita o acesso à informação ou restringe a capacidade de reflexão das pessoas diante da vasta gama de informações e redes conectadas.

Nesse sentido, percebe-se que o acesso aos recursos tecnológicos, nas mais diversas plataformas e na busca por informações, acaba levando os internautas ao uso excessivo da internet provocando uma necessidade de viverem conectados. Além disso, o ato de construção do conhecimento baseado nas informações obtidas e o uso diário, por longas horas, desses rcursos, direciona os envolvidos nesse contexto, muitas das vezes, a aquisição de dados ou fatos incoerentes com os temas abordados quando mal utilizados os meios e recursos disponíveis para essa construção intelectual e formadora de reflexões.

Outrossim, observa-se diversos danos causados, tanto físico quanto neurológicos que acabam por determinar distúrbios depressivos, problemas de relacionamento afetivo e profissional, dentre outros. Segundo Steve Jobs, “A tecnologia move o mundo”, mas deve-se saber utilizá-la de forma correta. Sendo assim, seu mau uso, determina não o acúmulo de conhecimento, mas uma junção de fatores entre o normal e o patológico, assim verificado nos estudos promovidos por Maíra Sandes Moromizato e outros pesquisadores sobre o uso da internet e redes sociais e a relação com os indícios de ansiedade e depressão em estudantes de medicina.

Portanto, faz-se necessário uma política pública de conscientização quanto ao uso da internet e a facilidade na obtenção de informação, além da promoção de ações que possam desenvolver a capacidade de reflexão e não a sua restrição. Salienta-se, então, a importância da participação dos orgãos responsáveis, por intermédio dos Ministérios da Educação, Saúde e Cidadania na criação de medidas, quais sejam voltadas a campanhas, propagandas, fóruns de debates, ações participativas e educacionais, entre outras, de forma a possibilitar atitudes e posturas quanto ao uso correto da internet e manuseio de seus formidáveis recursos referentes ao acesso à informação que possa caracterizar o bem estar individual e coletivo propiciando situações de construções cognitivas coerentes e não reações clínicas patalógicas.