A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 15/03/2020
A música “Admirável chip novo”, da cantora Pitty, conduz o ouvinte a um universo distópico o qual as pessoas são robôs, ou seja, pré-programados e só atuam conforme a sua programação e, por conseguinte, qualquer alteração nessa linha torna necessário reinstalar o sistema, assim sendo, vive-se em um mundo sem nenhuma reflexão. Não obstante, tal questão transcende a arte virando um problema atual na sociedade. Com o advento da internet a capacidade reflexiva dos cidadãos foi atrofiada e, consequentemente, a potência de refutar as informações que o mundo nos traz fica cada vez menor, isso promove o aumento de notícias falsas (Fake News) e diminui a interpretação humana.
Primeiramente, na célebre obra de Immanuel Kant “O que é esclarecimento?”, o filósofo alemão conclui que o homem para sair do estado de menoridade intelectual deve servir-se de si mesmo, não conhecendo o mundo apenas a partir das visões alheias da realidade que chegam até ele, mas sim a partir de sua própria interpretação do mundo, “Sapere aude” (ouse saber). Contemporaneamente, a quantidade enorme de informações disponíveis à milhões de pessoas graças a internet pareciam ser algo libertador ao homem, pois agora sim ele teria acesso facilitado a diversos canais informativos de maneira muito fácil, no entanto, o que se viu foi que o ser humano se acomodou com as informações que vinham de todos os lugares, não questionando-as e partindo do pressuposto de que tudo que está na internet é verdade, o que muitas vezes não ocorre, e explica o fenômeno crescente de Fake News ao redor do mundo e no Brasil.
Outrossim, Aristóteles afirmava que o ser humano era um animal como todos os outros animais, o que o diferenciava é que ele era um ser racional. Diante disso, o que nos individualiza em relação aos outros animais, nos tornando especiais, é a nossa capacidade cognitiva extremamente desenvolvida. A tecnologia criada para o homem deveria ser um objeto que amplifique a sua capacidade produtiva, contudo, o que se viu com o crescimento da internet foi o ser humano diminuir o seu questionamento sobre as informações presente nela, aceitando tudo de maneira pronta, perdendo com o passar do tempo a capacidade cognitiva de questionar a conjura atual do mundo em que vive.
Destarte, é notória a necessidade de aumentar a capacidade reflexiva do cidadão no meio online, na tentativa de mitigar um homem que não saiba mais impugnar. Em primeiro lugar, é mister que o Ministério da Educação promova em escolas públicas, e privadas, palestras, aulas e cartazes ensinando desde a infância como buscar informações na internet de maneira segura e sem acreditar em tudo que é apresentado. Ademais, o ministério supracitado poderia promover campanhas midiáticas dando aos cidadãos diferentes formas de buscar informações na internet. Mitigando assim o problema.