A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 14/03/2020

“A tecnologia move o mundo” essa frase dita por Steve Jobs revela como o acesso ao mundo digital está cada vez mais interligado ao indivíduo. No entanto, esse cenário torna-se acomodador as informações que são apresentadas aos usuários. Nessa perspectiva é necessário analisar a influência da internet no seu cotidiano, além das suas restrições no campo das ideias.

Em primeira análise, o Enigma da Modernidade, do filósofo Henrique de Lima, elucida que apesar da sociedade ser tão avançada em suas razões teóricas, é tão indigente em suas razões éticas. Nesse sentido, mesmo com todos as conquistas no campo tecnológico, o tecido social está distante de suas razões éticas. Prova disso é o estudo feito pelo IBGE, revelando que 85% dos indivíduos tem acesso à internet, sendo estas: crianças, jovens e idosos. Tal percentual significativo desse quadro mostra como a falta de controle no uso dessas fontes pode acarretar um vício compulsivo e na alienação.

Ademais, a filósofa alemã Hannah Arendt, conceitua “a banalidade do mal”, afirmando que o pior mal é aquele visto como algo cotidiano, corriqueiro. Haja vista que o uso intensivo da internet se tornou algo banal. Porém representa um grande desfavorecimento para elaboração de do senso crítico reflexivo da população. Assim, o internauta torna-se sedentário na produção de suas próprias ideias. Segundo ao Indicador de Analfabetismo Funcional, 29% dos brasileiros entre 15 e 64 anos sabem ler, no entanto são incapazes de compreender o que leem. Tal dado confirma a indefensibilidade dessa parcela populacional frente a este desregrado mercado de influências, já que não estão refletindo de forma autônoma.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para atenuar a problemática da capacidade de reflexão oriunda dos meios tecnológicos. Para isso, é necessário que o Ministério da Educação e Cultura crie por meio de incentivos fiscais, campanhas e propagandas nas redes sociais que expliquem ao público como que se deve usar corretamente os algoritmos de informação, alertando sobre os perigos da imparcialidade do intelecto, de modo à criar no internauta o hábito de buscar novas informações e que debata sobre elas, com o objetivo de ter uma opinião formada sobre. Somente assim, será possível combater na sociedade o comodismo da ideia pronta, Caminhando-se assim, para a autonomia do próprio pensamento.