A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 12/03/2020

Na obra “Utopia”, do escritor Tomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a capacidade intelectual restringida pelo acesso a internet apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da potencialização da era da informação, quanto do acesso precoce de crianças a redes virtuais. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a escassez da intelectualidade humana deriva do grande fluxo de informações gerada pelo processo de globalização. Segundo o pensador Arnold Toynbee, o ser humano se tornou deus da tecnologia, mas permaneceu macaco na vida, explicitando hodierno contexto social. Devido ao grande fluxo de velocidade do acesso à informação, a intelectualidade humana fica banalizada por consumir muito, não ter foco, e se restringir a um conhecimento mínimo. Desse modo, faz se mister a reformulação dessa postura de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar o prematuro contato de crianças com a internet como promotor do problema. De acordo com Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, a educação é a maior arma para poder mudar o mundo. Partindo desse pressuposto, essa ‘‘arma’’ não vem sendo utilizada a favor dar crianças, visto que esses futuros adolescentes tomados pela falta de comunicação escolar, em consonância a míngua fiscalização parental, vem sendo deixados a mercê do fluxo de dados, sendo uma consequência futura a restrição da capacidade de reflexão. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que esse acesso precoce contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade. Dessarte, com o intuito de mitigar a restrição da habilidade de pensamento, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação junto ao Ministério da Saúde, será revertido em domesticação desse acesso a informação, através de orientação psicossocial nas escolas, com atendimento, cartilha e palestras. Desse modo, atenuar-se-á, em média e longo prazo, o impacto nocivo da problemática, e a coletividade alcançará a Utopia de More.