A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 15/03/2020

De acordo com o artigo “A avalanche de informação”, publicado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, é possível caracterizar a era da tecnologia com o seguinte paradoxo: “quanto mais informação nós produzimos, menos tempo temos para assimilá-las”. Ou seja, é fato que a internet facilita a disseminação de informação, porém será que todo conhecimento compartilhado é absorvido e compreendido?

Em primeira análise, é necessário salientar que, por razões biológicas, o cérebro humano só armazena aquele conteúdo que é lido ou ouvido com  atenção. Dessa forma, existe concordância com o Dr. Dráuzio Varela,  “sem atenção, não há qualquer possibilidade de guardar-se um fato e, sem guardá-lo, não há como recuperá-lo depois.” Logo, o que importa é a qualidade com que se apreende certas informações, e não a quantidade das mesmas. Assim, fica explícito que quanto mais informação, mais difícil fica a apreensão.

Ademais, segundo Nicholas Carr, escritor norte-americano, as pessoas estão se tornando cada vez mais “superficiais e burras”, pois não conseguem focar e ter calma ao ler um simples conteúdo, uma vez que são bombardeadas com milhares de “links” que levam de um site a outro, distraindo a atenção e causando a sensação de falso conhecimento. Infelizmente, a geração superficial, como define Carr, não sabe lidar com tanto conhecimento e aqueles que mais sofrem com esse problema são as crianças, pois nasceram na era da tecnologia e, se não forem amparadas pelos adultos, correm o risco de sofrerem com dificuldades de aprendizagem, como deficit de atenção e ansiedade, visto que são doenças relacionadas a falta de atenção e a rapidez  com que se interpreta um assunto.

Portanto, é indubitável que a tecnologia facilitou o compartilhamento de informação, porém é de suma importância ressaltar os limites que deve-se ter ao utilizar essa ferramenta, como tentar manter o foco em um assunto de cada vez, ter calma ao ler um conteúdo, refletir sobre a interpretação textual, questionar-se antes de mudar para outro texto . Desse modo, é necessária a conscientização de cada indivíduo, principalmente dos adultos, pois cabe a eles assistirem as crianças e os jovens. Para isso, o governo de cada estado deve, por meio de palestras públicas, estimular a reeducação tecnológica -tanto para crianças, quanto para pais e responsáveis- retificando comportamentos perante à tecnologia. Assim, com educação é possível reverter o problema da capacidade de compreensão de conteúdos diante de tanta informação exposta diariamente.