A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 15/03/2020
De acordo com os dados divulgados pela Universidade Carnigie Mellon, em 1998, a utilização da internet por algumas horas diariamente contribui com possíveis quadros depressivos. Nesse contexto, no hodierno cenário global, sobretudo no Brasil, observa-se que mesmo com o benefício da facilidade de acesso a informação as pessoas estão se tornando mais vazias, por causa perda da autorreflexão. Isso ocorre ora devido aos algoritmos das redes sociais que filtram determinados conteúdos, ora em decorrência da comparação ocasionada pela exposição pessoal nos perfis.
A priori, é imperioso relacionar os algoritmos dos sites com o conceito de ‘’Filtro Invisível’’ de Eli Pariser. Segundo o escritor americano, como estratégia lucrativa para venda de produtos, as plataformas utilizam mecanismos de filtragem com base no perfil do usuário, para assim direcionarem propagandas e assuntos específicos que se encaixem em seu histórico de pesquisa. Sob esse viés, ao impedir que o indivíduo tenha acesso a ideologias e conteúdos contrários ao dele, acarreta a perda da possibilidade de contrariedade e, concomitantemente a isso, dificulta a absorção de novas linhas de pensamento e autorreflexão, imprescindíveis para a formação de um pensamento crítico.
A posteriori, é imperativo concatenar a comparação com a ideia de “Multidão Solitária” de David Riesman. Conforme o sociólogo americano, a internet faz com que as pessoas percam a liberdade social e a autonomia individual tentando ser como os outros. Nessa perspectiva, com o constante bombardeio de ideologias, padrões de comportamento e caminhos a serem seguidos, por parte da mídia e, consequentemente, a observação de inúmeras pessoas enquadradas em tal padrão, o indivíduo deixa de lado sua idiossincrasia e adentra-se a uma homogeneização de conduta.
Depreende-se, portanto, a essencialidade de mudanças para tornar possível a mitigação desse empecilho. Necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União(TCU) direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, seja revertido na implementação de uma plataforma on-line focada na instrução a respeito dos algoritmos presentes na internet e formas de melhor aproveitamento de informações. Isso deve ser feito por meio da contratação de programadores de software que expliquem o mecanismo de filtragem de conteúdo e ,em suma, aulas ministradas por psicólogos que busquem induzir o indivíduo a desenvolver seu pensamento crítico meio a crescente padronização comportamental. Com a finalidade de tornar os usuários de internet atualizados acerca dos mecanismos de seleção de conteúdos e antenados com relação a importância da autorreflexão no ambiente cibernético. Dessa forma, algumas horas na internet deixarão de causar crises de depressão e se reverterão em momentos de desenvolvimento pessoal.