A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 09/03/2020

Ao longo da história, grande parte do conhecimento sempre foi restrito a determinado espaço ou grupo social,mas recentemente a expansão do uso da internet pela sociedade permite o compartilhamento de conteúdo de forma cada vez mais rápida. A partir dela é possível ter acesso aos acontecimentos mundiais, expor opiniões e ter acesso a informações através de diversos canais. Contudo, os cidadãos precisam se atentar a veracidade dos dados obtidos e refletir sobre sua conduta na rede.

Por meio do mito do anel de Giges escrito por Platão,é possível analisar que, assim como aquele que detém o anel da invisibilidade e o utiliza de forma injusta sem a penalidade da retaliação social , o indivíduo que tem acesso a internet também pode usar do anonimato para difundir notícias falsas e até mesmo cometer crimes como a injúria contra outros usuários. Esse tipo de comportamento, é cada vez mais comum nas redes sociais,e aquele que repassa informações sem checar a fonte está sendo vítima, mas também cúmplice, pois a partir do momento em que se obtém um dado, da mesma forma é responsável sobre suas ações relacionadas a ele.

O grande número de notícias, artigos, memes e interações advindas da internet em curto período de tempo causa uma sobrecarga de informações no usuário, fazendo com que ele muitas vezes não consiga focar no informe presente e já anseie pela próxima informação de modo automático.Ou seja, a quantidade de informações é enorme,mas quem navega só a absorve de maneira superficial. Esse comportamento generalizado se torna bem mais problemático quando há a fase da discussão com outras pessoas após a leitura, gerando um debate vago e propício a espalhar fake news.

Nessa perspectiva, é preciso que as instituições de ensino passem a incluir o bom uso da internet em sua grade curricular , assim educando as novas gerações sobre como usar a rede de forma consciente. Cabe também a imprensa como um todo, ter o comprometimento em contradizer notícias falsas difundidas no ambiente virtual através de reportagens,campanhas e matérias. E por fim ,é necessário que a lei que determine a criação de delegacias cibernéticas alcance o restante dos Estados, e que estas prestem apoio aos cidadãos quando são acometidos por crimes virtuais.