A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 15/03/2020
Muito se discute sobre como selecionar as informações no mundo da internet. O senso analítico é uma habilidade que se desenvolve para que se possa refletir sobre todas as coisas. Na antiguidade, os egípcios e os babilônios já tentavam observar o céu para entender as estações do ano e, na Grécia do século V, Sócrates já desenvolvia um método para questionar suposições. No decorrer da história cada vez mais a humanidade acumulou conhecimento e analisou dados para a tomada de decisões. No entanto, com a chegada da era informacional, a capacidade reflexão não acompanhou a velocidade de informação. Acerca disto, convém analisar os pontos que interferem nas decisões e opiniões dos internautas e de que modo isto deve ser superado.
Inicialmente, o advento da internet na década de 90 foi como um sonho de liberdade para muitos. Entretanto, com o crescimento da inteligência artificial aplicada em algoritmos, as pessoas veem cada vez mais do mesmo conhecimento que buscam, configurando as chamadas “Bolhas Digitais”. Acerca disso, os pensadores da atualidade Gilberto Dimenstein e Mario Sergio Cortela por meio do livro “A Era da Curadoria”, em que cita que o conhecimento deve ser seletivo como um curador, alguém que protege, cuida, não como um zelador, que fecha. Desse modo, a necessidade de selecionar fontes confiáveis e ainda pesquisar coisas diferentes pode ser uma maneira de agir criticamente no meio informacional atual.
Outro aspecto abordado é a pós-verdade e a influencia das redes sociais, por exemplo, na candidatura de Donald Trump. Segundo dados da agencia de notícia BBC News, mais de um terço dos americanos usam o Facebook como meio de informação primária e desse modo, a rede coagiu os internautas. Essa e outras notícias anunciadas diariamente por meios de veiculação em massa, influenciam cada vez mais as pessoas por não terem senso crítico das informações. Assim como afirmou o ministro de propaganda nazista Joseph Goebels: “uma mentira dita mil vezes, torna-se verdade”, os factoides são criados, difundidos milhares de vezes pela internet e posteriormente acabam por produzir o efeito que seus criadores almejaram.
Contudo, capacidade de reflexão é preciso e medidas são necessárias. O Governo Federal por meio do Ministério da Educação deve criar programas de capacitação aos educadores da rede de educação pública e privada, de modo que se possam criar novas metodologias de ensino que envolvam situações problemas e estudos de caso com essa temática. Ademais, propagandas pela tv e pelo rádio podem trazer a ideia de conscientização ao público em geral. Com estas ações, teremos uma sociedade mais questionadora e mais seletiva de toda informação consumida.