A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 09/03/2020

Às luzes de Arnold Toynbee, “tornamo-nos deuses da tecnologia, mas permanecemos macacos na vida”. Analisando as ideias do célebre historiador na hodiernidade, é certo que a realidade apresentada pode ser relacionada a forma como a internet facilitou a informações, porém restringiu a capacidade de reflexão, afetando, dessa maneira, a qualidade do conhecimento. À vista disso, é fato que a rápida disseminação de informações e questões socioculturais corroboram a problemática.

Em primeiro plano, é cabível analisar como o mau uso do ciberespaço contribui para o entrave. A internet, apesar de surgir como mecanismo de integração entre as bases militares durante o período da Guerra Fria, assumiu papel diferente, ao passar dos anos, adquirindo função de entretenimento e divulgação. Hoje, sendo facilitadora da propagação de informações, auxilia na rápida disseminação do conhecimento, que, entretanto,não é absorvido pelos usuários da internet, à medida que sua função de informar dar lugar ao apraz do indivíduo, tornando, assim, o conhecimento diluído.

Outrossim, vale destacar aos processos socioculturais que desencadeiam esse cenário. Dentro desse ínterim, em função de facilitar o cotidiano dos indivíduos a internet tornou-se imprescindível. Todavia, ao ser utilizada em todas as esferas da vida do homem moderno instaurou-se um novo paradigma de ordem técnica que modificou as estruturas sociais, políticas e econômicas, tornando a sociedade dependente da internet. Quanto a esse fator, segundo o sociólogo Zygmund Bauman, atualmente vive-se um período de “liberdade ilusória”, haja vista que as novas tecnologias não somente possibilitaram formas diversas de interação com o conhecimento, mas também abriu portas para a dependência tecnológica.

Em síntese, é imperiosa a tomada de medidas que revertam o cenário abordado. Portanto, urge ao Ministério da Educação, associado ao Ministério das Tecnologias e Comunicações, engendrar um projeto interdisciplinar que vise elucidar a sociedade quanto ao uso correto do ciberespaço. Às escolas, cabe a formulação de atividades lúdicas e debates engajados, com a participação de sociólogos e profissionais especializados, com o fito de incentivar os estudantes a buscar qualidade nas informações e, assim, o conhecimento concreto. Posto isso, poder-se-á reverter essa realidade.