A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 10/03/2020

Análogo ao professor americano Mark Bauerlein, autor do livro The Dumbest Generation (“A Geração Mais Burra”), apesar do irrestrito acesso à informação, a sociedade moderna continua sem conhecimento. Nota-se, portanto, que, embora a Revolução Técnico-científico-informacional tenha avanços relevantes quanto à dissipação de informação e à velocidade de comunicação, o mau uso tecnológico tem afetado o desenvolvimento crítico e social dos indivíduos. Desse modo, a restrição da capacidade de reflexão hodierna decorre tanto em razão do uso exacerbado da internet, quanto devido à omissão de prioridades no que tange a busca virtual.

A priori, segundo Eduardo Giannetti, economista e professor brasileiro, “O progresso tecnológico acelera o tempo e abre o leque, mas não delibera rumos e nem escolhe os fins.” . Semelhantemente, observa-se que, de acordo com o IBGE, mais de 70% dos brasileiros possuem acesso à internet. No entanto, a mesma pesquisa aponta que o uso da internet se dá, em maior parte, para aplicativos de entretenimento e relacionamento. Nesse sentido, constata-se que o maior acesso à internet não implica na obtenção de maior conhecimento, tendo em vista que apesar de grande potencial educativo, a internet também representa o maior fator distrator para a sociedade.

A posteriori, em consonância com Adorno, filósofo da Escola de Frankfurt, pode-se afirmar que a internet ao invés de contribuir para formar cidadãos críticos, mantém as pessoas alienadas da realidade, haja vista que a produção de conteúdo baseia-se na obtenção de lucros e não na formação social do indivíduo. Nessa perspectiva, de acordo com o Jornal G1, o Brasil encontra-se em terceiro lugar no hanking de tempo conectado a internet, totalizando pouco mais de nove horas de uso diário.  Bauerlein, entretanto, acredita que o excesso de informações que a sociedade tem acesso implica na perca da capacidade de diferenciar conteúdos significativos e classificar prioridades. Desse modo, o uso indiscriminado da tecnologia produz, à longo prazo, uma sociedade superficial e incapaz de argumentar.

Por tudo isso, torna-se necessário impulsionar a reflexão e exercício do senso crítico brasileiro. Nesse viés, cabe ao MEC, associado às Instituições Educativas, promover debates semanais interescolares, com palestrantes graduados e estudantes, a fim de promover interação social e raciocínio crítico sobre assuntos de cunho cultural, social e político. Ademais, é dever da família controlar o uso exacerbado das redes, propondo distrações alternativas, como incentivo à leitura, com o intuito de despertar o jovem da alienação virtual. Sendo assim, em contraposição à realidade da geração proposta por Bauerlein, a sociedade desenvolverá senso crítico e alto potencial argumentativo.