A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 12/03/2020
De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês contemporâneo, se houver falhas no usufruto consciente dos mecanismos que proporcionam a liquidez social, haverá intempéries como a falta de autonomia de pensamento. Dessa forma, a internet facilitou a informação, contudo a carência de discernimento para o uso restringe a capacidade de reflexão. Nesse sentido, observa-se que as condições para o bom proveito das redes digitais apresentam um cenário que requer cautela seja a partir de ensinamentos históricos, seja pelo aprendizado adquirido diariamente nessa nuvem de informações.
Mormente, ao analisar essa situação por um prisma estritamente histórico, nota-se que a liquidez na sociedade se dá por uma modernidade pouco ligada as raízes do passado, assim como refere o sociólogo supracitado. De forma que, os ensinamentos e diretrizes das gerações passadas foram perdidos a medida que o advento da internet tomou conta do cotidiano, assim o cuidado com quem interagimos desapareceu junto com a importância dada a opinião alheia e a busca de fontes confiáveis para confirmar a veracidade de cada informação. Sob tal ótica o acesso a diversos dados é amplo, contudo a busca pela autenticidade e reflexão sobre esses torna-se cada vez mais escassa.
Além disso, cabe ressaltar que essas complexidades se instauram no caos estrutural relacionado a preceitos digitais referentes ao compartilhamento irrestrito e constante de notícias e opiniões. Nesse sentido, constata-se que o processo de socialização através desse bombardeio de informações prevalece sobre a construção de uma identidade crítica em cada indivíduo. Dessa maneira, o habitus, de Pierre Bourdieu, concretiza e explica o porque da restrita capacidade de reflexão nessa sociedade de Bauman, que busca o compartilhamento e a divulgação das “verdades” contemporâneas antes de qualquer reflexão a respeito.
Portanto, à luz dos fatos mencionados, torna-se imperativo que o Ministério da Comunicação, em parceria com recursos midiáticos, elabore projetos e políticas, em âmbito nacional, com o intuito aprimorar a capacidade de reflexão dos usuários digitais no Brasil. Isto pode ser feito com o uso de “Merchandising Social”, por meio da própria internet com a criação de personagens fictícios que atinjam a população em seu horário nobre e ressaltem a importância do cuidado com a veracidade e a necessidade de refletir sobre as informações expostas “online”, visto que a manipulação de massa cabe em grande parte a mídia social.