A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede
Enviada em 08/08/2025
Uma jovem chamada Débora passou cerca de dois anos sem sair de casa, enfrentando depressão e pensamentos suicidas após se tornar alvo de um meme viral nas redes sociais. De maneira análoga, a internet tem alimentado crimes de ódio e o cyberbullying. Nesse contexto, destacam-se dois aspectos: o isolamento causado pelo medo da exposição virtual e a intenção suicida entre vítimas da violência digital.
O isolamento é uma das principais consequências para quem sofre crimes virtuais. O confinamento vivido durante a pandemia de COVID-19 ilustra esse efeito: a interrupção da rotina e a limitação do convívio social agravaram problemas emocionais em diversas faixas etárias. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a prevalência global de ansiedade e depressão aumentou 25% em 2020. Assim, o afastamento provocado pela exposição negativa na internet pode gerar impactos semelhantes, favorecendo transtornos como ansiedade, estresse e depressão.
A intenção suicida entre vítimas de violência digital está ligada à pressão psicológica de ofensas constantes, exposição pública e isolamento. Como afirmou Clarice Lispector, “Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome”, indicando que a vida exige mais que a ausência de restrições — é necessário sentir segurança e respeito. Quando esses elementos são destruídos pelo ataque virtual, o indivíduo pode perder o sentido de viver, o que evidencia a importância de intervenções rápidas e apoio especializado.
Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham amenizar a violência digital. Dessa maneira, cabe ao poder público, em parceria com plataformas digitais, implantar e fiscalizar normas de combate ao cyberbullying, por meio de monitoramento ativo das publicações e aplicação imediata de penalidades, a fim de reduzir a ocorrência desses crimes e proteger a saúde mental das vítimas. Somente assim, a internet deixará de ser um espaço de hostilidade para se tornar um ambiente seguro.