A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede

Enviada em 08/08/2025

Em “1984”, de George Orwell, o controle da informação é usado como forma de repressão. Similarmente, a internet — criada como espaço de liberdade — tem se tornado um ambiente tóxico, marcado por cyberbullying e discursos de ódio. Tais práticas representam uma chaga social que evidencia falhas éticas e estruturais na sociedade brasileira. Assim, é essencial refletir sobre as causas desse problema, como a falta de fiscalização e a escassez de empatia no uso das redes.

Diante disso, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, vivemos em “tempos líquidos”, na qual as relações se tornam cada vez mais descartáveis e frágeis. Esse conceito se aplica ao ambiente virtual, onde a impessoalidade e o anonimato favorecem comportamentos agressivos e a desumanização do outro. Assim, a falta de empatia entre os usuários, somada à rápida disseminação de conteúdos ofensivos, contribui para o aumento de crimes de ódio e casos de cyberbullying. Nesse cenário, muitos se sentem encorajados a atacar sem considerar as consequências psicológicas para as vítimas, o que agrava o problema.

Ademais, a ausência de uma fiscalização eficaz agrava ainda mais o cenário de violência virtual. Muitas vezes, crimes como o cyberbullying passam impunes, seja pela dificuldade de identificação dos autores, seja pela lentidão do sistema jurídico. Esse contexto lembra as “caças às bruxas” da Idade Média, nas quais julgamentos eram realizados com base em acusações frágeis e sem direito à defesa — algo semelhante ao que ocorre no chamado “tribunal da internet”. Embora existam leis como o Marco Civil da Internet, sua aplicação ainda é limitada, o que reforça a sensação de impunidade e perpetua comportamentos abusivos nas redes.

Portanto, é fundamental que o Estado, por meio de órgãos como o Ministério da Justiça, fortaleça a aplicação das leis já existentes, garantindo a investigação e punição eficaz de crimes virtuais. Além disso, é necessário que as escolas, em parceria com especialistas em psicologia e tecnologia, promovam projetos de educação digital,incentivando o uso consciente e empático da internet. As plataformas digitais também devem assumir maior responsabilidade, ajustando seus algoritmos para coibir conteúdos de ódio. Com ações integradas, será possível transformar o ambiente virtual em um espaço mais seguro e respeitoso.