A internet como ferramenta para a democratização do conhecimento
Enviada em 25/08/2021
“Admirável Mundo Novo” é uma obra distópica de escrita por Huxley que retrata uma realidade na qual a falta de desejo de saber, mesmo tendo os meios para se educar, os condicionou a um futuro catastrófico. Assim como na realidade de Huxley, no mundo atual o acesso a internet não significou uma melhora na capacidade intelectual da sociedade: ela ofuscou ainda mais o processo e construção do raciocínio. Para propor uma solução a este fenômeno torna-se necessário entender as suas causas: o excesso de informações pela web e a possibilidade de desinformação provinda destas informações.
A priori, sabe-se que o excesso de informação dificulta a capacidade do consumidor de se tornar crítico e independente. O filósofo Nietzsche defendia, em seus ensaios, que o excesso de informação mina a capacidade de criatividade e cultura do sujeito, pois lhe dá a impressão de que tudo já foi feito, restando apenas a combinação de elementos já existentes na história. No mundo virtual, não diferente, este excesso de informação é potencializado e o sujeito como atuante no mundo é ofuscado: não atoa redes sociais se estruturam em celebridades e dão menos engajamento aos seus usuários “comuns”. Com a morte do sujeito como ser, a sua reflexão é levada junto, e o que resta são várias pessoas ideólogas e com necessidade de se assemelharem no espaço virtual.
Outrossim, é importante ressaltar como a liquidez das relações do mundo pós-moderno contribuem para a degeneração da capacidade intelectual dos indivíduos na internet. o filósofo Zygmunt Bauman defende a hipótese de que o mundo passou por uma transformação no seu tecido social e as relações tornaram-se superficiais, pois a lógica do consumo substituiu o desejo e a busca pela verdade. Sendo assim, a internet potencializa o desejo de vender a informação, independente dela ser verdadeira ou não. Notícias falsas e mentiras são compartilhadas e consumidas por milhões de navegantes todos os dias, influenciando-os com desinformações. O condicionamento do pensamento coletivo causado pela falta de desejo da verdade, isto é, pela liquidez das relações atuais, é um contraposto direto a capacidade de reflexão, que nasce de um ambiente livre de tentativas de ideologizá-lo.
Portanto, depreende-se a necessidade de ensinar aos internautas tanto a capacidade de filtrar as informações relevantes quanto a quantidade destas. Para tal, cabe ao Ministério das Comunicações, em parceria com agências de checagem de fatos independentes, criar e divulgar materiais, como posts em mídias sociais e palestras, na qual se explica a importância de ser criterioso, a nível individual, na escolha por informações confiáveis e suficientes e sobre a importância de evitar o excesso destas. Dessa maneira, a população brasileira será bem educada em termos de desenvolvimento de raciocínio e reflexão e futuros como o de Huxley poderão ser evitados.