A internet como ferramenta para a democratização do conhecimento

Enviada em 27/06/2021

A identidade humana, antes pautada pela visão cartesiana: “Penso, logo existo”, passou a ser fundamentada na impotância da inserção do indíduo no ambiente digital: “Estou conectado, logo existo”. Entretanto, ainda que a internet venha sendo utilizada vultosamente como ferramenta para a democratização, tal realidade torna-se utópica no Brasil. Nesse contexto, a ausência de políticas públicas eficazes, aliada ao aumento exponencial da desigualdade social, apresentam-se como um empecilho na democratização do conhecimento.

É válido ressaltar inicialmente que a constituição, sua aplicação e a má gestão das medidas governamentais estejam entre os principais entraves de se alcançar o acesso democrático ao conhecimento por meio da internet. Diante dessa perspectiva, salienta-se o papel negligente do Estado ao não tomarem medidas eficazes - como a garantia do direito ao acesso á informação e ao conhecimento -  que garantam o direito de voz a todas as camadas da sociedade . Assim, ratifica-se a tese desenvolvida pelo jornalista Gilberto Dimenstein, acerca da Cidadania de Papel, isto é, embora o país apresente um conjunto de leis bastante consistente, elas se atêm, de forma geral, ao plano teórico.

Ademais, as disparidades sociais e regionais são impotantes obstáculos a uma inclusão digital mais profunda. Nesse sentido, a desigualdade social presente na sociedade brasileira agrava o processo de democratização do conhecimento, pois o alto valor dos eletrônicos impossibilita que famílias de baixa renda adquiram tais produtos essenciais ao acesso á internet. Dessa maneira, para atingir um acesso mais equitativo ao meio informacional, é imperativo que o combate às disparidades sociais e econômicas seja realizado. Tendo em vista a realidade supracitada, é indubtável que as dificuldades encontradas em democratizar o conhecimento possuam raízes mais profundas na sociedade.

Entende-se, portanto, que são imprescindíveis medidas capazes de efetivar o acesso ao conhecimento por todo cidadão. Para isso, é mister que o Ministério da Cidadania aliado ao Ministério da Economia garantam um estado democrático que defenda os interesses sociais -no âmbito do acesso á informação- por meio de ajustes orçamentários que possibilitem auxílios para famílias mais carentes conseguirem obter acesso á internet. Desse modo, poder-se-ia fundamentar a identidade humana baseada na conectividade ampla durante o século XXI.