A internet como ferramenta para a democratização do conhecimento

Enviada em 10/01/2021

“As leis existem, mas quem as aplica?”, questionou Dante Alighieri no livro “A Divina Comédia”. Tal pergunta pode ser feita no atual contexto brasileiro, em que a educação é um direito garantido pela Carta Magna, contudo, ao refletir sobre o advento da internet, que simplificou a disseminação do conhecimento, mas ainda não atinge toda população, verifica-se que o direito supracitado não é desfrutado por todos. É prudente apontar, diante disso, que a negligência governamental, somada à desigualdade social, apresenta íntima relação com essa problemática.

A princípio, é lícito destacar que a displicêncial estatal colabora com esse cenário desagregador. Isso porque, embora o arcabouço jurídico do país preleciona ao Estado o dever de executar as leis, na prática, tal pressuposto não é devidamente efetivado. Nesse viés, as várias pesquisas do Ministério da Educação que demonstram a falta de tecnologias digitais na maioria das escolas brasileiras, corroboram essa lamentável desatenção que, consequentemente, prejudica a democratização do conhecimento. Depreende-se, portanto, que é imprescindível os governantes trabalharem para cuprir a norma constitucional vigente, tendo em vista todos os aspectos da educação.

Ademais, é pertinente atrelar a disparidade social histórica dos brasileiros como entrave na popularização dos meios de comunicação. Acerca disso, o dramaturgo Ariano Suassuna diz que a injustiça secular existente no Brasil o dilacera em dois: o dos privilegiados e o dos despossuídos. Dessa maneira, a aquisição do saber pelas mídias é inviável para os menos favorecidos, que convivem com a fome e a falta de recursos básicos, como no município de Melgaço, no Pará, que apresenta o menor IDH do país, segundo dados do IBGE. Por essa lógica, é indubitável que os menos favorecidos não podem usufruir dos benesses do mundo tecnológico enquanto as condições mínimas de sobrevivência forem privilégios - e não direitos.

Por fim, caminhos devem ser abordados para solucionar esse revés. Logo, cabe ao Ministério da Educação destinar verbas às prefeituras , por meio de um projeto social, para equipar todas as escolas públicas e bibliotecas municipais com computadores conectados à rede mundial de comunicação, a fim de proporcionar a toda população, em especial aos estudantes, uma experiência digital engrandecedora, que contribui para a educação. Essa ação deve ser feita em parceria com voluntários preparados para esclarecer quaisquer dúvidas no ambiente virtual. Assim sendo, espera-se alcançar uma sociedade mais democrática em que não ocorra a “Cidadania de Papel” - termo cunhado pelo escritor Gilberto Dimenstein, que diz respeito a existencia de direitos na teoria, os quais não são, de fato, vivenciados na realidade.