A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.

Enviada em 19/08/2020

Desde os tempos antigos, povos como os egípcios utilizavam ervas e outras plantas como drogas com a finalidade de tratar doenças por eles conhecidas nos seus estudos limitados de medicina. Porém, na atualidade, em países como o Brasil, certos indivíduos passaram a utilizar substâncias similares a medicamentos de forma abusiva, tornando-se dependentes químicos, muitas vezes tendo que serem internados em clinicas de reabilitação involuntariamente. Nessa conjectura, é preciso analisar como a necessidade humana de fugir da realidade influencia essa situação e como ela pode contribuir para a a quebra da dignidade desses sujeitos.

Em primeira análise, tem-se como o principal fator gerador da internação involuntária pessoas com dependência química no cenário brasileiro a tentativa ineficiente desses cidadãos de fugir da visão realista do mundo. Isso pode ser melhor visto ao ser levado em conta que, no Arcadismo, movimento artístico e literário, uma das mais notórias características era o desejo de fuga da realidade conturbada urbana ao transportar-se para o campo, um lugar mais simples e calmo, onde a vida era mais feliz. Sendo assim, enquanto os peotas árcades fugiam para o meio rural para evitar a complexidade da cidade grande, outras pessoas utilizam drogas ilícitas para escaparem das próprias vidas, tendendo a serem internadas pelos familiares por preocupação com sua saúde, mental e física.

Ademais, nota-se que, ao serem obrigados a permanecerem em ambiente clínico contra suas vontades, os dependentes químicos perdem suas dignidades como cidadãos brasileiro, fazendo com que o tratamento não seja efetivo. Essa afirmação pode ser compreendida de forma correta ao se considerar que, segundo o filósofo Pico della Mirandola, a capacidade de se posicionar do indivíduo e decidir o que fazer é o que o dignifica e o torna humano ao diferenciá-lo dos outros seres vivos, uma vez que é uma característica única. Assim sendo, ao internar involuntariamente uma pessoa,retira-se dela a sua dignidade,fazendo com que ela,ao perceber esse fato, torne-se mais proativo a abandonar a realidade novamente, já que nela não é mais tratado como um homem, mas sim como um animal.

Portanto, é preciso que a internação involuntária de dependentes químicos seja tratada como última medida, aumentando os casos nos quais ela é voluntária. Nesse cenário, é necessário que a Secretaria Especial de Comunicação Social incentive esses indivíduos a buscarem ajuda psicológica ao criar e transmitir campanhas em rede nacional conscientizando sobre os perigos que o uso de drogas pode trazer para a vida de uma pessoa e como a ajuda de um profissional pode ajudar nessas situações a fim de que a ocorrência da internação contra o desejo dos pacientes sejam transformada de algo geral em uma exceção.