A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.
Enviada em 19/08/2020
No livro “Admirável Mundo Novo”, o escritor Aldous Huxley apresenta uma sociedade distópica cuja estabilidade é mantida pelo consumo do soma, comprimido que impede quaisquer sentimentos negativos dos personagens, deixando-os felizes de forma constante. Não longe da ficção, o uso abusivo de drogas lícitas e ilícitas atuam como o “soma” na realidade hodierna. Com isso, surge a questão da internação involuntária de dependentes químicos, que persiste intrínseca à sociedade brasileira, seja pelo aumento dessa minoria ou pela sua ausência de estabilidade mental.
Em primeira análise, é crescente o número de indivíduos dependentes de drogas que tem como finalidade “escapar” de uma realidade deplorável. Nesse sentido, o escritor romântico Álvares de Azevedo ao afirmar que “Eu deixo a vida como deixo o tédio, como as horas de um longo pesadelo”, define perfeitamente o estado mental dos dependentes químicos em estado de sobriedade. Isso decorre, principalmente, da busca incansável do indivíduo pelo alto desempenho por se sentir substituível na atual sociedade da competição. Por conseguinte, o homem passa a consumir drogas de forma incontrolável para amenizar a tristeza da rotina.
Em segunda análise, a pessoa em estado de dependência química não tem saúde mental para reconhecer a gravidade de sua situação. Nesse sentido, o caos presente na psique desses indivíduos é um problema entrópico, visto que o conceito de entropia da Física, mensura o grau de desordem em um sistema termodinâmico. Visto isso, é necessária a disposição dos familiares para a internação desses doentes, mesmo que sem seu consentimento, a fim de que sejam reinseridos na sociedade.
Portanto, a questão da intervenção involuntária de dependentes químicos no Brasil deve ser discutida. Para tanto, o Ministério da Justiça em parceria com as redes abertas de televisão devem promover propagandas semanais, em que um profissional da área de psiquiatria, através de uma mini aula, explique os benefícios da clinica de reabilitação e a importância dos familiares para a internação involuntária, a fim da conscientização.
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