A importância dos quilombos no Brasil hoje

Enviada em 09/08/2020

Na mitologia grega, Zeus condenara Sísifo por tramar contra os deuses, ordenando que ele rolasse uma pedra até o topo de uma montanha. No entanto, devido à sua grande exaustão, a pedra retornava para a base e Sísifo teria a mesma obrigação no dia seguinte, nesse ciclo, durante toda a sua vida. De forma análoga, tal ato faz jus a atual luta dos quilombos brasileiros, os quais são diariamente ameaçados pelas demarcações de terras e pela desvalorização, que mascaram sua rica herança histórica.

Em primeira análise, é valido ressaltar a importância das demarcações territoriais, que garantem a existência desses povos. De acordo com o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), há cerca de 1.715 processos abertos que aguardam a regularização das terras quilombolas. A partir disso, fica evidente as falhas governamentais, uma vez que esses indivíduos não possuem o auxílio indispensável para garantir a proteção e respeito por suas terras, direito que lhes são assegurados pela Constituição Federal.

Ademais, é explícita a notabilidade dos quilombos na cultura brasileira, haja vista que à discriminação desses povos provoca o desaparecimento de diversos elementos que são de extrema importância para o patrimônio cultural. De acordo com o jornal G1, cerca de 63,7% dessa população não possui conhecimento sobre sua ancestralidade, o que reafirma o esquecimento da essencialidade dos quilombos para a nação e o intenso processo de aculturação, que ocasiona a desapropriação de sua própria história.

Em síntese, medidas devem ser tomadas para solucionar esse impasse. O Poder Judiciário deve fiscalizar a aplicação da Lei na proteção de terras e cultura quilombola, para que as mesmas ainda se mantenham cultivadas. Além disso, o Ministério da Educação deve implantar nas escolas aulas interativas e didáticas nas disciplinas de história, filosofia e sociologia, mostrando aos alunos o alto valor desses povos. Outrossim, essa cultura será devidamente prezada e não precisará mais lutar, como Sísifo lutou.