A importância dos estímulos na primeira infância

Enviada em 22/06/2021

Na série estadunidense O Gambito da Rainha, a protagonista, Beth Harmor, sofre de sérios problemas emocionais e mentais em decorrência das experiências traumáticas de abandono vividas por ela no orfanato no qual foi deixada em tenra idade. Em consonância com a realidade da personagem, está a de muitos cidadãos que, devido à ignorância parental sobre a importância do afeto e outros estímulos durante a primeira infância, podem chegar a manifestar dificuldades de aprendizado e de socialização durante seu desenvolvimento.

Nessa perspectiva, é importante salientar que o desconhecimento dos responsáveis sobre a importância do estímulo à criança na primeira infância pode prejudicar o seu desenvolvimento. Segundo , menos da metade dos entrevistados consideravam importante a demonstração de afeto com o bebê ainda em gestação, sendo que, aproximadamente um terço cogitava necessário o diálogo com ele nesse período. Depreende-se, portanto, a ignorância das particularidades e necessidades que abarcam cada fase do crescimento de um indivíduo. Consequentemente, há perda do potencial de aprendizado de habilidades emocionais, intelectuais e sociais que podem ser mais facilmente assimiladas durante os primeiros anos de vida. Mostra-se, assim, que a falta de instrução parental arquiteta, lamentavelmente, tal problemática.

Consequentemente, tal motivador gera incontestáveis efeitos na vida dos indivíduos que foram pouco estimulados durante a infância. Como afirma a filósofa Hannah Arendt, é na educação familiar que forma-se a base cognitiva do indivíduo e se define, em grande parte, a forma com a qual irá interagir com o mundo à sua volta. Sendo assim, a falta de incentivos intelectuais, culturais e lúdicos como o fomento à leitura de livros, à prática musical, às atividades ao ar livre e à interação com outras crianças é capaz de torná-lo menos suscetível a absorver e lidar com informações. Sendo assim, seu rendimento escolar pode ser negativamente afetado e apresentar, potencialmente, consequências para a sua vida adulta e a sua relação com o mercado de trabalho. Percebe-se portanto, que as experiências da primeira fase da vida, caso conduzidas de uma forma salutar, podem trazer malefícios a longo prazo.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para que a importância do estímulo na primeira infância seja reconhecida. Sendo assim, o Ministério da Educação deve promover campanhas direcionadas aos pais e responsáveis de crianças na fase inicial do desenvolvimento por meio das mídias sociais e canais televisivos abertos ao públicos, a fim de incentivar práticas como a leitura conjunta, as atividades ao ar livre e a socialização do indivíduo com outros da mesma faixa etária. Dessa forma, casos como de Beth Harmor poderão se manter apenas no âmbito ficcional.