A importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves
Enviada em 20/10/2021
Álvares de Azevedo, em seu poema ‘‘Se eu Morresse Amanhã’’, expõe, após ter sido diagnosticado com tuberculose -uma doença que, na época, era um atestado de óbito-, os seus tristes sentimentos com relação à morte. Assim como fica evidente na obra, preparar-se para morrer não é algo fácil e, por isso, os cuidados paliativos -os quais servem para minimizar os impactos psicológicos em indivíduos com doenças incuráveis- são tão importantes. Apesar disso, os problemas na educação brasileira e a superlotação dos hospitais impedem que esse tipo de cuidado possa ser efetivamente aplicado.
Diante disso, é possível afirmar que as barreiras encontradas no ensino superior brasileiro impedem que os cuidados paliativos sejam realizados com qualidade. Em conformidade com Paulo Freyre, o processo educacional no Brasil ainda segue um modelo muito tradicional, no qual o professor bombardeia os alunos de conteúdos teóricos. Sob essa ótica, a falta de matérias mais humanizadas forma profissionais da saúde que não sabem lidar com o emocional de seus paciente. Desse modo, os cuidados paliativos não são feitos de forma adequada.
Outrossim, é válido salientar que, por conta da superlotação dos hospitais brasileiros, os cuidados paliativos são deixados de lado. Nesse contexto, o programa televisivo ‘‘Fantástico’’, em uma de suas reportagens, mostrou que os hospitais, principalmente nas capitais, estão sempre lotados e inúmeros pacientes são atendidos nos corredores diariamente. Nesse sentido, o médico, ou qualquer outro profissinal da saúde, não tem tempo para entender as individualidades emocionais de cada paciente, uma vez que um outro paciente pode estar gravemente ferido e aguardando atendimento. Com isso, a negligência com relação aos cuidados paliativos fica ainda maior.
Sendo assim, fica nítido que os problemas educacionais e sobrecarregamento do sistema de saúde brasileiro impedem que os indivíduos com doenças graves e irreversíveis recebam um preparo emocional adequado. Nesse contexto, para que os cuidados paliativos sejam realizados com qualidade, é necessário que o Ministério da Educação, por meio de uma reestruturação da base curricular dos cursos da saúde, insira uma aula semanal com foco no tratamento humanizado dos pacientes; essas aulas serão ministradas por professores de psicologia com auxílio de professores de sociologia durante os dois primeiros períodos dos cursos. Além disso, é fundamental que o Governo Federal incentive a abertura de concursos públicos na área da saúde para aumentar o contigente de profissionais nos hospitais públicos. Assim, as pessoas não passarão pela mesma dor que Azevedo.