A importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves

Enviada em 01/11/2021

No filme “Patch Adams – O Amor é Contagioso”, estrelado por Robin Willians, Patch é um estudante de medicina nada tradicional que, ao perceber a falta de atenção dos profissionais com os pacientes, opta por ajudar os doentes de forma mais humanizada e cuidadosa. Nesse sentido, os cuidados paliativos configuram um conjunto de práticas de assistência ao paciente incurável que visa oferecer dignidade e diminuição de seu sofrimento, tal como propõe o personagem. Contudo, certos desafios impedem a execução ideal do paliativismo no Brasil, o que inclui a carência de infraestrutura necessária e o preconceito associado à área.

A princípio, pode-se pontuar que o Estado se mostra omisso em relação ao fornecimento de tratamentos paliativos a todos os indivíduos, sobretudo no sistema público de saúde. De acordo com levantamentos realizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil tem apenas iniciativas isoladas de cuidados paliativo, insuficientes para o atendimento geral da população. Isso se justifica, pois, a infraestrutura brasileira carece de equipes preparadas para o acompanhamento do enfermo, além da falta de uma rede de atendimento que favoreça o diagnóstico desde a atenção primária até o nível hospitalar, fenômeno esse que predomina especialmente nas regiões distantes dos grandes centros urbanos. Portanto, a ineficiência do governo transgride o direito fundamental à saúde, conferido pela Constituição Federal, e mostra-se alheio a importância da medicina humanizada.

Outrossim, a falta de entendimento dos cuidados paliativos mantém estigmas sobre ele, o que dificulta a sua concretização. Tal como afirma a geriatra Ana Cláudia Quintana Arantes, especialista em cuidados paliativos, o preconceito é proveniente da crença mantida por muitas pessoas de que a prática do cuidado paliativo se encaixa unicamente no momento no qual não há nada mais a se fazer pelo paciente. Além disso, a falta de abordagem sobre o curso da morte, que muitas vezes é tratado como um tabu, e a escassez de políticas de saúde voltadas a esse tratamento também contribuem para que a medicina se torne limitada ao tratamento da doença em si, e não do ser humano propriamente.                  Portanto, depreende-se a necessidade de garantir os procedimentos relacionados aos cuidados paliativos no Brasil. Assim, cabe ao Ministério da Saúde realizar parcerias com empresas privadas do ramo médico para fornecer maiores investimentos aos hospitais e postos de atendimento público de todos os municípios brasileiros, tendo em vista que essa verba deverá ser utilizada para instruir os profissionais de modo a usar técnicas paliativas quando preciso. Desse modo, poderá ser superada parte da carência infraestrutural que vigora sobre a realidade nacional, e os benefícios dessa modalidade médica poderão ser ampliados e efetuados.