A importância do investimento no turismo sustentável no Brasil
Enviada em 28/09/2021
Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e de problemas. No entanto, o que se observa na contemporaneidade é o oposto do que o autor prega, uma vez que a pouca importância dada ao turismo sustentável no Brasil representa barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Dessa forma, faz-se imperiosa a análise da impostura estatal e da busca desenfreada pelo lucro, fontes desse quadro adverso.
Convém ressaltar, a princípio, a negligência do Estado frente a essa questão. Nesse sentido, segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT), somente em 2018, mais de 1,1 bilhão de pessoas viajaram pelo mundo. A partir disso, explicita-se o fato de que, lamentavelmente, os impactos negativos no meio ambiente, como a geração excessiva de lixo e a superlotação de pontos turísticos naturais, têm sido intensificados, sobretudo nos países emergentes e que pouco aderem ao turismo sustentável, como é o caso do Brasil. Essa conjuntura, segundo o sociólogo Émile Durkheim, configura-se como um fato social patológico, uma vez que a desatenção do Estado frente a essa questão impacta, de modo nocivo, o pleno desenvolvimento da sociedade, pondo em risco a biodiversidade existente nesses territórios. Esses aspectos, infelizmente, são notórios no país.
Ademais, é pertinente ressaltar a busca desenfreada pelo lucro como impulsionadora dessa problemática. Nesse viés, Karl Marx, sociólogo alemão, postula que privilegiar o bem pessoal em detrimento do coletivo, proporciona inúmeros malefícios à sociedade. Seguindo esse raciocínio, moradores de cidades que rendem com seus visitantes, ao priorizarem o lucro, contribuem para a manutenção do turismo predatório, o que gera um ciclo insustentável e pouco inteligente, tendo em vista que os responsáveis pela degradação do meio natural são dependentes do bem-estar desse mesmo meio. Logo, é inadmissível que essa realidade continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de combater esses contratempos. Para isso, o Executivo, por meio do capital do Tribunal de Contas da União (TCU), deve investir em uma força-tarefa policial que possa investigar e desestimular com multas, por exemplo, cidadãos e empresas que estejam agindo de modo indiferente quanto às questões ambientais dos espaços turísticos, a fim de estimular maior adesão ao turismo sustentável, isto é, engajado com a natureza e com a minimização do impacto humano. Isso deve, a longo prazo, estimular nas cidades turísticas a participação íntegra da população local ao turismo sustentável. Assim, será combatida corretamente a patologia social elencada, tal como nomeia Durkheim.