A importância do investimento no turismo sustentável no Brasil
Enviada em 13/12/2020
Gonçalves Dias, em sua obra “Canção do exílio”, expõe uma visão romântica e nacionalista no que tange aos aspectos naturais do Brasil, demostrando a sua grandiosidade ambiental. Entrentanto, tal ótica não seria a mesma no cenário contemporâneo brasileiro, visto que atividades turísticas estão gradativamente obliterando as paisagens locais. Sendo assim, faz-se fundamental analisar as causas e as consequências dessa prática, bem como possíveis medidas que visam atrelar a sustentabilidade ao turismo.
A princípio, expende-se, como fator substancial do turismo não sustentável, o ensino deficitário. Nesse viés, segundo o filósofo Immanuel Kant, o homem é, em última análise, fruto da educação que lhe foi fornecida. Sob esse pensamento, infere-se que, se não há uma educação ambiental na grade curricular do turismo, eis aí a principal e indubitável causa da perpetuação de hábitos prejudiciais à paisagem natural brasileira. Logo, a sustentabilidade e o turismo devem ser aspectos inseparáveis para que a preservação ambiental seja realidade nacional.
Consequentemente, ao analisar o turismo tradicional, observa-se efeitos negativos aos ecossistemas locais. Isso porque tal atividade possibilita um maior contato físico entre o homem e os territórios naturais, tendo como resultado a poluição de tais ambientes, como, por exemplo, a deposição de resíduos em áreas de conservação. Por conseguinte, a fauna e a flora são, muitas vezes, prejudicadas, fazendo com que os bosques brasileiros, por sua vez, não tenham mais a vida que tinham na visão de Gonçalves Dias, tornando urgente mudanças educacionais para que a sustentabilidade nesse ramo seja alcançada.
Portanto, depreende-se que o turismo sustentável só será uma realidade no Brasil se as bases do ensino forem alteradas. Para tal, urge que todas as universidades públicas e privadas, que tenham a graduação de turismo, inclua, na sua grade curricular, matérias de educação ambiental. Tal medida será feita por meio de uma lei que torne essa inclusão curricular de cunho obrigatório, de modo que os alunos tenham disciplinas exclusivas nesse viés com duração de um semestre, com o fito de formar profissionais com responsabilidade ambiental e implementar um turismo mais sustentável no país. Como efeito, nossas várzeas e nossos bosques, de fato, terão mais vida, assim como em “Canção do exílio “.