A importância do ensino profissionalizante

Enviada em 31/08/2021

No filme “O Homem Bicentenário”, uma família estadunidense compra um robô, o Andrew, para realizar tarefas domésticas. Fora da ficção, muitos empregos, sobretudo aqueles que se baseiam em movimentos repetitivos , serão substituídos pela robótica, na chamada Quarta Revolução Industrial. Nesse sentido, a educação profissional é essencial para inserir e requalificar trabalhadores no atual e futuro mercado de trabalho . Para isso, alguns avanços ocorreram, no Brasil, porém, faz-se necessário muito mais investimentos nesse setor.

Em primeiro lugar, o Novo Ensino Médio, aprovado em 2017, vislumbra incentivar o ensino profissionalizante. Ainda entrará em vigor, e a expectativa é que muitos jovens saíam da escola já com um emprego. Nesse contexto, entretanto, surge a contestação de que a educação servirá apenas como uma formadora de novos consumistas. No entanto, a profissionalização não precisa ser um fim em si mesma, mas uma propulsora de novas oportunidades, como a entrada, mais madura e preparada, na universidade. Dessa forma, parafraseando o geógrafo Milton Santos, a cidadania não seria multilada pela negação de trabalhos dignos.

Outrossim, vale lembrar que 70% dos jovens brasileiros, segundo a Fundação Getúlio Vargas, não estão nem na educação superior, nem na profissionalizante. Paralelo a isso, aproximadamente 14 milhões de pessoas estão desempregadas, de acordo com o IBGE. Esse cenário demonstra a falta de mão obra especializada, o que advém, em certa parte, da baixa capilarização de cursos técnicos pelo país. Diante disso, a reforma do ensino médio poderá ser uma inflexão nessa realidade. Ademais, é preciso que o Estado tome medidas mais profundas a fim de ocupar os novos postos de trabalho e evitar, assim, o prognóstico pessimista, do filósofo contemporâneo Yuval Harari, com o futuro, já que para ele, até 2050, com o avanço da inteligência artificial, surgirá a “sociedade dos inúteis”.

Portanto, é imperioso manter o tímidos avanços e focar nos desafios que se apresentam na área de ensino profissionalizante. O Ministério da Educação deve, com o Ministério da Economia, interiorizar o ensino técnico público, através da construção de novos institutos federais, além de ofertar cursos atualizados com as inovações digitais. Além disso, instituir o Novo Ensino Médio , ofertando cursos técnicos de qualidade, nas regiões com maior oferta de trabalho. Com isso,  a mão de obra se qualificará com mais rapidez e influenciará positivamente no crescimento econômico do país. Assim, a locomotiva, não a daquela Primeira Revolução Industrial, mas a da História, levará todos para um futuro mais próspero.