A importância do ensino profissionalizante
Enviada em 05/09/2021
Em sua obra “Cidadãos de papel”, o célebre escritor Gilberto Dimenstein disserta acerca da inefetividade dos direitos constitucionais, sobretudo, no que se refere à desigualdade de acesso aos benefícios assegurados na Carta Magna. Diante disso, a conjuntura dessa análise configura-se no Brasil atual, haja vista que o ensino profissionalizante ainda não é democrático. Nesse sentido, é lícito afirmar que a má administração governamental e a falta de investimento na instalação do ensino profissionalizante nas escolas contribuem para a perpetuação desse cenário negativo.
Mormente, é importante ressaltar que, devida à lacuna educacional na grade curricular dos cidadãos no que tange o ensino profissionalizante, lamentavelmente, corrobora para formação de pessoas desqualificadas para o mercado de trabalho. Segundo o filósofo inglês John Locke, o Estado tem a função de garantir que os cidadãos gozem de direitos imprescindíveis. Logo, admite-se ao governo o dever dos civis saírem das instituições de ensino preparados para o ofício trabalhista, dado que, assim, o corpo social tem os seus direitos constitucionais ratificados pelo Estado.
Além disso, com o avanço da tecnologia da informação, moldando uma nova realidade no cenário de serviços, exige, desta forma, qualificação profissional. Conforme a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 60% dos 8 milhões de trabalhadores que estavam desocupados em 2007, nunca tinham frequentado cursos de educação profissional, segmento que inclui aulas de qualificação para o trabalho, curso técnico de nível médio e graduação tecnológica. Nesse viés, faz-se necessário o investimento na qualificação profissional da população, para, assim, formar uma equidade e equilíbrio no âmbito social.
Portanto, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Cabe ao Ministério da Educação, por meio de verbas governamentais, implementar a educação profissionalizante nas instituições de ensino e, em parceria com empresas, endossar o estágio da população para qualificá-los a atuar no mercado de trabalho. Desse modo, essa lacuna educacional será inibida, cidadãos serão formados mais autônomos no cenário social e profissional, conseguinte, a realidade afasta-se da obra “Cidadãos de papel”.