A importância do ensino profissionalizante
Enviada em 28/08/2021
No filme “Preciosa”, lançado em 2009, uma jovem da periferia desenvolve novas perspectivas para o futuro a partir de uma educação inclusiva e humana, que tem como objetivo integrá-la à sociedade. No Brasil, o ensino médio e superior como ferramentas de mudança social é uma discussão ainda em andamento, por um lado devido à elitização dos cursos de graduação no país, por outro devido ao mercado de trabalho, que não possibilita tempo hábil para os trabalhadores educarem-se. Por isso, o Estado deve criar políticas para estudantes e trabalhadores desenvolverem-se profissionalmente em menor tempo, por meio de um ensino humano e com foco no trabalho prático.
A referida elitização nos cursos de graduação no Brasil pode ser explicada a partir da grande desigualdade social presente no país. O sociólogo Jessé de Souza cunhou o termo “subcidadão” para identificar as pessoas de baixa renda que não têm acesso à cultura, a moradias dignas e a educação de qualidade. Segundo o autor, essa carência presente desde a infância afeta o desenvolvimento pessoal, podando sonhos de estudo superior e de trabalhos dignos. Além disso, a longa duração dos cursos de graduação, que, podem durar até 6 anos, dificulta o acesso de jovens nessas populações ao estudo, já que não possuem meios para se manterem economicamente inativos durante tanto tempo. Assim, cursos profissionalizantes tornam-se uma alternativa, ao oferecerem programas de duração mais curta.
Outrossim, a questão financeira afeta também trabalhadores que desejam desenvolver-se profissionalmente. Segundo dados do IBGE, durante a crise econômica provocada pela pandemia da Covid-19 em 2021, o número de trabalhadores informais no Brasil subiu para 40%, juntamente com a inflação do valor dos bens de consumo. Dessa maneira, o trabalhador brasileiro deve trabalhar para sobreviver, não havendo tempo hábil para o estudo. Segundo o autor israelense Yuval Harari, a 4ª Revolução Industrial já está em andamento, havendo, portanto, necessidade dos países de aplicarem recursos na robótica e engenharia. Nesse sentido, o Brasil mostra-se atrasado, enquanto uma grande parte de nossa população em idade produtiva encontra-se amarrada em empregos informais.
Dessa maneira, urge que o Estado tome providências para resolver esse impasse. O Ministério da Educação deve direcionar verbas públicas para desenvolvimento de cursos profissionalizantes, a partir de uma cooperação com universidades particulares, com o objetivo de resgatar esses “subcidadãos” de trabalhos informais. Somente assim, jovens e trabalhadores das periferias terão acesso ao trabalho digno, desenvolvendo não apenas a si mesmos, mas também a tecnologia no país. Dessa maneira, o ensino mostrará-se-á uma ferramenta de mudança social no Brasil, assim como com Preciosa, ao resgatá-la da pobreza.