A importância do desenvolvimento sustentável no Brasil

Enviada em 14/10/2021

“Sabemos o real valor de uma sociedade com base no quanto de natural ela consegue manter intocado”, escreve Henry Thoreau, célebre poeta e ecologista do século XIX. O dilema entre desenvolvimento e sustentabilidade, acentuado por um consumismo exarcebado, tem recebido os holofotes de muitas discussões políticas e midiáticas. Todavia, um consenso que permita o vislumbre de uma solução parece inatingível, seriam portanto esses tópicos inconciliáveis opostos?

Sob esse viés, primeiramente faz-se necessário compreender que, ao contrário do que aponta o senso comum, desenvolvimento e sustentabilidade não são opostos, mas complementares. A gigante americana Google foi pioneira ao explorar o potencial econômico da energia sustentável. Após um investimento bilionário em energia solar e eólica, ela foi premiada pela ONG WWF por ser a primeira empresa a gerir múltiplas sedes exclusivamente com energia renovável. Ademais, um país com uma biodiversidade tão rica como o Brasil pode aproveitar desse potencial latente através da pesquisa e tecnologia, que se provaram ser a nova definição de soberania nacional. Dessa forma, é possível reinventar, por exemplo, a bioquímica brasileira, utilizando de novos princípios ativos ao passo que garantindo a preservação das florestas e posteriores novas descobertas.

Nesse sentido, uma vez desmitificada a dicotomia entre sustentabilidade e desenvolvimento, deve-se encarar o consumismo como a verdadeira engrenagem central do metafórico relógio do apocalipse. O sociólogo polonês Zigmunt Bauman, ao discorrer sobre o modelo de sociedade em que vivemos, escreve “O problema não é o consumo em si, mas o insaciáveldesejo de continuar consumindo”. Essa voracidade compulsiva, que caracteriza a sociedade de consumo, desumaniza o indivíduo e o reduz a apenas mais um objeto a ser consumido. Além disso, dados do Green Peace divulgados em 2018 apontam que, seguindo o atual ritmo de consumo, seriam necessários os recursos de 2.5 planetas terras, e por conseguinte, nosso débito com a mãe natureza se esgotará até 2030.

Assim sendo, a fim de catapultar o desenvolvimento sustentável, faz-se necessário ao Executivo, através do Ministério da Educação e do Meio Ambiente, garantir um maior repasse aos tecnopólos nacionais, isto é, as universidades públicas e institutos de pesquisa- como o Instituto Butantan, Fiocruz, Fapesp, etc-. Dessa forma, pode-se tencionar uma progressiva transição nacional de um obsoleto modelo extrativista para um inteligente desenvolvimentismo renovável que preencheria os olhos de Thoreau com lágrimas de orgulho.