A importância de garantir acessibilidade para todos
Enviada em 23/10/2021
José Saramago, em “Ensaio sobre a Cegueira”, ilustrou os meandros e as veredas do comportamento - egoísta, maléfico e imoral- humano. Para além das páginas, essa personalidade violenta presente em expressiva parcela da população global afasta a garantia de acessibilidade para todos, visto que as atitudes empáticas estão distantes da realidade cotidiana dos países. Isso não se evidencia apenas pela exclusão dos deficientes, mas também pela ausência de políticas eficazes que visem garantir acessibilidade a esse grupo. Cabe-se, então, buscar medidas para garantir a igualdade.
Em um primeira análise, sob a ótica social, as pessoas com deficiência são historicamente oprimidas, o que tende a excluí-las da convivência com outros indivíduos e limitar sua acessibilidade. Isso porque a falta de inclusão reflete, muitas vezes, nas ações cotidianas dos cidadãos, uma vez que, em suas mínimas expressões, as pessoas deficientes não são respeitadas e, como consequência, não estão integradas aos processos que regem a lógica capitalista. John Rawls, nesse sentido, definiu como sociedade justa aquela que preza pela igualdade e pela cooperação entre os indivíduos, o que não se faz presente na atualidade da maiorias dos países quando se trata da questão da acessibilidade. Dessa maneira, a importância de garantir o acesso a todos seria alcançar a adequada justiça social.
Ademais, vale ainda ressaltar que a secundarização global da pauta de acessibilidade entre os governos impede o avanço da inclusão desse grupo. Essa correlação pode ser estabelecida em decorrência da ausência de políticas públicas eficazes para garantir o acesso de corpos não normativos aos estabelecimentos- rampas, avisos em braile ou intérpretes de libras-, o que possibilitaria melhor adaptação das atividades cotidianas para os deficientes e, assim, permitir sua presença em locais comuns. No Brasil, por exemplo, cerca de 24% da população do país é composta por essa minoria, segundo pesquisas do Itaú. Tal dado ilustra que, apesar de parte significativa do povo ser parte desse grupo, não existem pautas governamentais efetivas para tratar da acessibilidade nos diferentes ambientes das cidades. Dessa forma, se mostra importante alterar essa lógica de exclusão.
Torna-se evidente, portanto, que a importância de garantir acessibilidade para todos perpassa por questões sociopolíticas, a quais devem promover a inclusão dos deficientes na realidade dos países. Para efetivar esse quadro, é preciso que a ONU (Organização das Nações Unidas) faça, em parceria com os governos locais, a criação do projeto “integrar para aceitar”, na qual seja estimulada a reformulação acessível de projetos urbanísticos e a promoção de campanhas de inclusão social. Isso deve ocorrer por meio de oficinas que demonstrem a importância do cuidado e do respeito ao próximo e por obras estruturais. Espera-se, assim, que, de fato, a sociedade torne-se mais igualitária no futuro. próximo.