A importância de extinguir o desperdício de alimentos no Brasil
Enviada em 03/11/2020
O filme “O poço”, de 2019, retrata uma espécie de prisão dividida por níveis, cujo a alimentação diária era disposta através de uma plataforma que passava pelos andares - do primeiro ao último -, logo, deveriam racionar a comida para que ela chegasse a todos, mas isso não acontecia. Entretanto, esse fato não se limita a ficção. No Brasil, o desperdício alimentar é evidente e isso ocorre devido ao elevado consumo irresponsável, levando a fome para uma parcela da população.
A priori, o consumo exacerbado e inconsciente do povo corrobora a problemática. O País, com sua cultura fundamentada em modelos europeus e norte-americanos, como o “Estilo de vida americano” - comportamento estadounidense que surgiu após as Guerras Mundiais baseado no consumo - leva a desigualdades embasadas no poder econômico. Segundo Zygmunt Bauman, “O problema não é consumir, é o desejo insaciável de continuar consumindo”, porém, é perceptível que comprar está ligado à capacidade financeira, e então, ao poder. Sendo assim, conseguir consumir o quanto quiser - até mesmo chegando ao desperdício - reflete o montante pessoal. Contudo, os gastos monetários desnecessários, além de indivíduos em situações de nutrição precária são resultados dessa cultura do “é melhor sobrar do que faltar”.
A posteriori, como consequência temos a fome. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura(FAO), entre 2017 e 2019, 43,1 milhões de pessoas viviam em situação de insegurança alimentar no País, fato inadmissível considerando a grande produção de alimentos. A perda agroalimentar ocorre por toda a cadeia produtiva, logo, isso exige ações conscientes em todos os setores que auxiliarão na minimização do desperdício, de modo a possibilitar o barateamento dos produtos - diminuindo a inflação -, ampliando a oferta para famílias de rendas insuficientes. Em suma, o impasse se deve a desigualdade de concentração de renda, com pessoas afetadas pelo desemprego e salários extremamente baixos, se alimentar é algo difícil.
Nesse viés, o Governo Federal, como instância máxima administrativa executiva, deve atuar em favor do povo, por meio da execução de eventos e palestras que promovam a atenuação do consumo e o não desperdício, a fim de conscientizar a população acerca das adversidades geradas, como perdas no âmbito financeiro, além do aumento com as despesas alimentares que contribuem para a elitização dessa necessidade básica. Além disso, o Governo Federal deve também fornecer recursos econômicos a cidadãos de baixa renda - através de auxílios -, com objetivo de solucionar a insegurança alimentar do Brasil. Dessa forma, será possível decrescer os problemas de nutrição e o desperdício, vistos analogamente à realidade no filme “O poço”.