A importância de extinguir o desperdício de alimentos no Brasil

Enviada em 30/09/2020

Conforme a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 225, todos possuem o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo às presentes e futuras gerações. No entanto, quando se observa o desperdício de alimentos, no Brasil, hodiernamente, nota-se que, em razão da ineficiência governamental e do descaso popular, o meio ambiente e a sociedade sofrem as consequências negativas provenientes dessa adversidade, fato que, por sua vez, dificulta a garantia de um direito previsto na Carta Magna.

Primeiramente, cabe ressaltar que a inoperância estatal, no que tange à implantação de uma infraestrutura adequada ao transporte de alimentos, é um dos principais motivos à manutenção dos problemas referentes ao desperdício no país. Tal situação é comprovada por meio de dados publicados pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), em que 30% do desperdício de alimentos ocorre na fase de transporte. Além disso, a postura negligente de significativa parcela da sociedade quanto à compra em excesso e o consequente descarte dos alimentos contribui para essa problemática, uma vez que, segundo a FAO, aproximadamente 10% de todo desperdício é proveniente de domicílios. Assim, é notório a necessidade mudanças com o objetivo de mitigar os desperdícios.

Ademais, observa-se que o meio ambiente é diretamente prejudicado com a produção de alimentos em larga escala, já que a utilização de agrotóxicos e fertilizantes e a prática do desmatamento – para a criação de pastos e monoculturas – são intrínsecos ao processo de produção alimentícia. Para o o filósofo francês Serge Latouche, o aumento desproporcional e desenfreado das atividades produtivas se tornaram uma ameaça ao futuro e a manutenção da vida no planeta, em virtude do uso negligente dos recursos naturais. Nesse sentido, depreende-se que tal postura perante os alimentos produzidos potencializa a degradação ambiental e coloca em risco o bem-estar tanto da geração atual quanto da geração futura.

Portanto, é imprescindível que o Governo crie projetos que visem amenizar os efeitos da problemática em questão. Com base nessa premissa, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, deve implementar campanhas de conscientização em escolas de todo o país, com o objetivo de mostrar as consequências desse problema e propor formas de amenizá-lo, por intermédio de palestras e do ensino de técnicas de reaproveitamento de alimentos não consumidos – como a compostagem. Tudo isso com o propósito de que o tecido social, enfim, se beneficie de um direito constitucional e indispensável a vida – a garantia de um meio ambiente ecologicamente equilibrado.